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quarta-feira, 21 de maio de 2014


Você alguma vez já buscou o seu “Grande Talvez”? Mas, o que seria o “Grande Talvez”? 
Acredito que seja algo em torno de viver a vida. Abandonar a zona de conforto, buscar emoções não sentidas, desafios não vividos. Quebrar as regras, às vezes, sim. Conhecer, viver, sorrir, chorar, explorar, muitas coisas podem englobar o Grande Talvez, cada pessoa irá encontra-lo com sua singularidade. 
Acredito nisso.
É assim, filosofando, que se inicia o livro Quem é Você, Alasca?, do famigerado escritor John Green.
Antes do sucesso meteórico de A Culpa é das Estrelas e Cidades de Papel, Green, logo em seu romance de estreia, já mostrava sinais do quão habilidoso, filosófico e sensível era sua escrita. Quem é Você, Alasca? é de longe, mas muito longe, o livro que mais gostei do autor, e isso não significa que eu ache os demais ruins – já é possível imaginar o quão bom todos são, não?
A história triunfa em seus momentos existencialistas, em seus questionamentos sobre a vida e o viver. No modo como mostra que nós somos moldados por nossas vivências. Amizade e amor são temas bem explorados no livro, de uma forma menos clichê que as encontradas convencionalmente. O perdão, talvez mais o autoperdão, também tem lugar de destaque no enredo, ele nos faz assumirmos quem realmente somos e saber que nos momentos vividos fizemos o nosso melhor, mesmo que as consequências nem sempre sejam as desejadas. Até mesmo algumas questões religiosas são abordadas.

Miles Halter é um adolescente fissurado por célebres últimas palavras - e está cansado de sua vidinha segura e sem graça em casa. Vai para uma nova escola à procura daquilo que o poeta François Rabelais, quando estava à beira da morte, chamou de o 'Grande Talvez'. Muita coisa o aguarda em Culver Creek, inclusive Alasca Young. Inteligente, engraçada, problemática e extremamente sensual, Alasca levará Miles para o seu labirinto e o catapultará em direção ao Grande Talvez.  

Os personagens são uma bela fonte de conhecimento e referências. A narrativa em primeira pessoa favorece a descrição e a profundidade das vivencias de Miles ao ingressar em Culver Creek. O círculo de amigos (Takumi Hikohito, Chip "O Coronel" Martin, Lara Buterskayaque) que forma-se é interessante por suas diferenças, cada qual com sua singularidade, conforme avançamos na história, eles se tornam aquele grupo de amigos inseparáveis, aqueles amigos dos quais jamais nos esqueceremos por conta do momento vivido. Sentimentos afloram de modos incontroláveis, incluindo o amor de Miles pela apaixonante Alasca Young. Entre os seus pontos em comum, a literatura se faz presente de uma forma importante. Alasca é a verdadeira responsável por engrena-lo no caminho do Grande Talvez.

"Imaginar o futuro é uma espécie de nostalgia (...) Você passa a vida toda preso no labirinto, pensando em como você escapará um dia, e o quão maravilhoso será, e pensar no futuro mantêm você inteiro, mas você nunca fará nada disso. De uma hora pra outra tudo muda, se transforma, e você acabou de usar o futuro fugindo do presente." - Alasca Young    

 " O único caminho para sair do labirinto de sofrimento é perdoando." 
Alasca > Hazel. Alasca Young by Radiophonia

Após um longo período absorvendo a história do livro (quase seis meses), decidi (tentar) colocar em palavras o que senti ao lê-lo. Se ler com olhos apenas para o romance adolescente e o círculo de amizade em questão, provavelmente você não aproveitará todo o potencial que o livro oferece. Sua beleza está nas entrelinhas, nos mínimos detalhes que podem facilmente passar despercebidos - assim como todos os livros do John Green que li até o momento: a beleza da sutileza. 
Por último, digo que este livro tem um plotwist emocionalmente carregado que traz significados e uma beleza espetacular.  

quarta-feira, 16 de abril de 2014

Quando recebi um email da EditoraGenerale, afirmando que os autores desta obra tinham escolhido o RLeitora para ler e resenhar seu livro, eu fiquei louca de feliz. Primeiro porque adoro estes autores (eles já escreveram “O Preço de Uma Lição” juntos) e segundo, porque eles escolheram o blog a dedo (e eu nem sou parceira da editora).
Mas chega de conversa mole, o que nós queremos é a resenha, não é?
Sinopse:
Uma banda formada por três amigos e dois irmãos, no auge da fama e do sucesso, decide que, após quatro anos longe de sua pequena cidade natal, finalmente é hora de voltar para casa. A princípio, viajam apenas para descansar e se recuperar da desgastante vida de artista e, para mais tarde, voltar à impiedosa rotina. Mas não é necessário muito tempo para que o passado venha resgatar histórias, conflitos, lembranças e um sentimento de nostalgia que havia sido deixado para trás.
Os valores esquecidos voltam a fazer parte do cotidiano dos integrantes da banda que passam a enxergar tudo aquilo de que abriram mão em nome da fama. São colocados diante de todos os casos mal resolvidos do passado, desde relacionamentos amorosos e conflitos com a família até suas amizades. Assim, são obrigados a lidar com a culpa, o arrependimento, a saudade, a raiva e com tantos outros sentimentos.
Em meio a todo esse ambiente improvável e diferente, Ana, ou Aninha, uma garota perfeitamente comum, é imersa em uma realidade completamente diferente de qualquer uma que já tenha vivido. Será que essa mudança causará muito impacto em sua vida? Ou será que ela se tornará o caminho de volta dos integrantes da banda para o sossego e a normalidade?
Minha vez:
Antes de falar da história em si, quero dizer que o Prefácio foi escrito pela autora e blogueira Babi Dewet (Sábado à Noite e Sábado à Noite 2). A Babi tem minha total admiração e, assim que li suas palavras, no início do livro, já me empolguei.
Bem, este livro tem uma proposta muito bacana: mostra os bastidores do show business, o que passa na cabeça dos popstars relâmpago (aqueles que despontam rapidamente) e as mudanças em suas vidas.
Como vocês já sabem, eu não gosto de contar muito da história – acho que isso acaba com a graça da coisa. Então o que eu posso falar é que Gigio é o líder da banda Mega Watzs. É um cara imaturo, mulherengo e acredita que pode dominar o mundo apenas com sua fama e beleza. Através de uma aposta, ele conhece Aninha, a nossa protagonista marrenta. Ela entra na onda da aposta (sem saber desta, claro!) e acaba ajudando nesta busca interior que os membros da banda fazem, sem nem mesmo se darem conta. Disse membros da banda porque não é só Gigio que entra na vibe de Aninha, mas todos. Uma garota cativante mesmo, estudante de veterinária. E brava! Oh menina brava – quase uma TPM constante. Não concordo com algumas atitudes tomadas por ela, mas tenho que respeitar a personalidade que os autores deram à protagonista.
Além da relação amor/ódio de Aninha e Giovane, há dramas familiares interessantíssimos, que levam à reflexão. Mostrando que os ídolos são pessoas tão suscetíveis ao erro quanto qualquer outra, com problemas em família e nos seus círculos sociais. 
“- O problema não é comprar algo que não precisa, e sim precisar de algo que você não pode comprar.” (p. 215) 
Os personagens têm suas histórias paralelas – que, obviamente têm ligação com nossos protagonistas mas, ainda assim, têm suas vidas próprias e interessantes. Os personagens são bem críveis – visto as idades apontadas pelos autores, além de serem interessantes mesmo. As atitudes tomadas por todos são bem condizentes com suas personalidades bem delimitadas.
Trata-se de uma obra leve, bem escrita – o que faz o leitor começar e não querer parar a leitura. O livro traz, ainda, um CD com trilha sonora. São três músicas escritas (acredito eu) por Gigio (eu adorei todas, mas “Hashtag Partiu” foi a preferida, cm uma pegada dançante bem bacana), o que dá um ar diferente durante a leitura, afinal a imaginação voa ainda mais.
O livro fala sobre amizade e recomeços. Sobre as trombadas que a vida dá e sobre levantar, sacudir a poeira e dar a volta por cima.
Durante a leitura, observei alguns erros ortográficos, de revisão, mas que não incomodam, de toda forma.

“Ser feliz não é difícil. Mas se está sendo difícil encontrar a felicidade é porque você está fazendo algo errado.” (p. 329)

Booktrailer:

sexta-feira, 11 de abril de 2014


Sinopse:
Cassie Madison fugiu de Walton, Geórgia, para Nova York quando soube que sua irmã, Harriet, e seu amor, Joe, a tinham traído e iam se casar. Ao chegar em Manhattan, sua ideia era se reinventar, mergulhar de cabeça na carreira e até mesmo perder o sotaque provinciano. Tudo para apagar seu passado marcado pela traição e por uma família que não lhe tratara com o devido cuidado.
Mas, numa noite, um único telefonema de sua irmã trouxe de volta tudo o que ela pretendia esquecer. Com o pai muito doente, ela foi obrigada a fazer a viagem de volta e, enquanto arrumava as malas, seus maiores medos eram que o pai morresse sem que ela pudesse estar com ele e... encontrar a família feliz que Harriet e Joe tinham construído.
Já em Walton, Cassie percebeu que enfrentaria uma imensa batalha particular, porque, afinal, ela não conseguia deixar de amar seus sobrinhos – e nem deixar de se sentir em casa, naquela cidadezinha de sua infância.
Enquanto se dividia entre rancor, esperança, velhas e queridas lembranças e uma mágoa insustentável, o destino arrumaria uma forma de aproximá-la do que realmente importa: o verdadeiro amor.
 
Minha vez:
De Volta Para Casa traz uma história que facilmente se encaixa na vida de muitos leitores. Afinal, que nunca sofreu uma grande desilusão (amorosa ou não) e “largou tudo” para seguir adiante em um novo espaço?
Esta obra foi lançada, pela primeira vez, no ano 2000 e só foi lançada novamente devido à grande procura do público. Então a autora “poliu” o texto e o relançou.
O livro começa com a ligação que Cassie recebe de Harriet. A partir daí, há flashes do passado que fazem com que nós saibamos que aconteceu – sempre sob o ponto de vista de Cassie, apesar de o livro ser escrito em terceira pessoa.

“Há inúmeras maneiras de morrer que não envolvem morte física” (p. 153)

Cassie tinha um namorado em Manhattan que, a propósito, não valia nada e dava mais valor às coisas materiais do que aos sentimentos da namorada.
Sabendo que estava muito doente, o pai de Cassie deu um jeitinho para que a filha voltasse para casa e ali permanecesse – deixou a casa da família para ela. Então não tinha jeito de ela voltar para Manhattan enquanto não resolvesse a questão – precisava se desfazer da casa. Mas é aí que está o “pulo do gato”: com o passar dos dias, Cassie percebe que a memória é falha e prega peças, fazendo enxergar e lembrar coisas distorcidas ou, ainda, que não existiram.
É claro que dói apagar as lembranças distorcidas para ceder lugar às certas, e isso Cassie aprende da forma como todos nós fazemos: negando – tomando o modo mais doloroso (sempre!). Ao explorar a casa, com a finalidade de separar o que vai para o lixo ou o que será guardado, as irmãs encontram muitas recordações, incluindo algumas cartas de amor de muitos anos, trocadas entre o pai delas e uma moça de sua juventude. São momentos que levam o leitor à emoção e reflexão.

“Amor é só sacrifícios, grandes e pequenos. Só conhecemos o amor verdadeiro quando nos damos conta de que desistiríamos de tudo por alguém”. (p. 241)

Cassie é um tanto mal humorada – mas nada que cause antipatia demasiada, e a autora justifica este comportamento afirmando que a Cassie jovem, engraçada e simples foi enterrada por todo o sofrimento, renascendo uma nova mulher, uma nova Cassie.
O passado é uma coisa de louco, hein! Além de lembranças (inventadas ou não), traz amores. No caso de Cassie não é diferente: ela reencontra uma pessoa – e que pessoa maravilhosa! Além disso, alguns eventos acontecem, transformando nossa protagonista. São dolorosos, mas de enriquecimento inimaginável.
O livro tem passagens para todos os gostos – engraçadas, tristes, reflexivas, desesperadoras... O fechamento da obra é emocionante. Não tem O final feliz, mas, ainda assim, conta com um final feliz (por mais contraditório que isso possa soar).
É uma obra muito bacana, que indico para todos. Não é o lançamento do mês, mas está valendo!

 Ela ficou olhando-o por um momento.
- Então por que diabos você voltou?
Sam olhava para frente, as luzes do painel iluminando seus olhos.
- Porque aqui é minha casa. Descobri que a vida não era só trabalhar e ganhar dinheiro. Queria um lugar onde pudesse formar raízes. Fazer parte de uma comunidade. Criar uma família num ambiente tranquilo.” (p. 105)

quinta-feira, 13 de março de 2014


“Sou loucamente apaixonado por você, Penny. Você é a minha coisa mais favorita desse mundo.”

O fim do mundo é inevitável em Procura-se Um Amigo Para o Fim do Mundo (Seeking For a Friend for the End of the World, 2012). O filme explora o que aconteceria com as pessoas caso o fim do mundo fosse anunciado. Acompanhamos os últimos dias da vida de Dodge, interpretado pelo carismático Steve Carell, desde o anúncio do fim até o momento derradeiro. Sua vida teria o fim mais monótono possível, não fosse por sua jovem, desconhecida, extrovertida, melancólica e um tanto amável, viznha Penny, vivida pela belíssima Keira Knightley. A dupla está carismática e interpretam personagens com algo em comum: desilusões amorosas. Além dos protagonistas, o elenco de apoio também é ótimo e conta com nomes como: Martin Sheen, Mark Moses, Adam Brody, William Petersen, Patton Oswald e Connie Britton  

 Na trama, o asteroide Matilda está em rota de colisão com a Terra e não há mais saída: o mundo será totalmente destruído. Restam três semanas até o acontecimento fatídico. As pessoas decidem aproveitar seus últimos dias das mais variadas formas, desde bebedeiras até sexo sem compromisso. No meio de todos o caos trazido pelo fim, dois vizinhos, solitários e completamente desconhecidos um ao outro, Dodge e Penny, acabam por se encontrarem e decidem percorrer o país em busca de rever pessoas do passado. Ela para reencontrar a família; ele, para rever um grande amor de sua juventude. A viagem traz muito mais que apenas troca de experiências. Acaba por trazer reflexões e uma sincera amizade entre os dois.

O filme apresenta um tom nostálgico, mostrado na relação de Penny com discos de vinis e também uma falta de contato entre as pessoas. A roteirista e diretora Lorene Scafaria (Nick & Norah - Uma Noite de Amor e Música), transmite uma mensagem importante sobre o contato entre as pessoas, principalmente em um mundo cada vez mais tecnológico, cada vez mais fechado às telas de computadores e celulares. O foco é no quão importante é passarmos nosso tempo com quem amamos e com que nos ama, é um filme sobre estar o máximo de tempo possível perto de quem realmente nos faz bem.  
Intrínseco em relação a sua comicidade e sua melancolia, com um romance bem estruturado que foge da pieguice muitas vezes vistas, o filme é leve e prazeroso de assistir. Personagens bem construídos e, acima de tudo, cativantes. Repleto de cenas malucas como uma família reunida injetando heroína ou uma orgia em uma lanchonete. Cenas melancólicas quando ambos trocam informações sobre suas famílias ou durante a ligação de Penny aos seus pais. Um filme bem construído com reviravoltas fidedignas de fazer o coração apertar e os olhos ficarem marejados. Uma ótima surpresa.  

Sobre o autor

Hugo Sales Hugo Sales
Escritor e músico aprendiz. Cinéfilo dedicado. Herdeiro do Resenhas de Uma Leitora. Contista e RPGista. Mente Inquieta. Escreve sobre literatura, pois, não consegue viver sem e adora compartilhar seus pensamentos e gostos.
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