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quarta-feira, 24 de julho de 2013

É com grande alegria que venho trazer uma entrevista com a querida Simone Marques, autora de Paganus (obra já resenhada aqui: 
http://www.resenhasdeumaleitora.com.br/2013/04/resenha-paganus-simone-o-marques.html).


A Simone é muito querida e atendeu prontamente à solicitação de entrevista. Mora em São Paulo, escreve desde 2007. Obras publicadas: Paganus, Triskle, Tribo de Dana, Era de Aquário, Agridoce e Marina e os tesouros da Tribo de Dana. Autora de diversos contos publicados em antologias de ficção e fantasia.


Simone, muito obrigada pelo carinho e consideração.

Fiz algumas questões, que acredito serem interessantes sobre seu trabalho:


1. O que é mais difícil/desafiador na arte de escrever?
É convencer os leitores de que o que você escreve é bom e merece ser lido. Escrever não é tão complicado quanto vencer os preconceitos que existem contra o novo autor nacional. 

2. Você acha que os blogueiros ajudam, efetivamente, na divulgação da obra?
Sem dúvida, mas ainda há um bom caminho a seguir. Muitos não têm compromisso com a divulgação e só querem um livro de graça, mas há blogueiros que são comprometidos, sérios e ajudam demais, com suas opiniões, resenhas e, principalmente, falando do livro para seus amigos e conhecidos. Esse trabalho é de grande ajuda e sempre apoio. =)

3. Qual a expectativa no mercado nacional? 
Há muitos novos autores no mercado, que cresceu muito mesmo nos últimos anos e isso é muito bom, mas também há muita coisa ruim circulando e isso compromete quem escreve profissionalmente e se preocupa com a qualidade. Eu acredito que o mercado vai dar uma assentada agora e será um momento de selecionar. Grandes editoras não olham para autores que não tem como investir ou conhecem alguém, que conhece alguém... Minhas expectativas são para que o mercado deixe de ser tão mercenário... 

4. Falando da sua obra Paganus, resenhada no blog, seu contexto histórico foi muito bem trabalhado, retratando o paganismo, assim como a inquisição e os "novos cristãos". Quanto tempo de pesquisa você precisou para escrever a obra?
A obra Paganus foi escrita depois de toda a série, então eu já vinha estudando sobre o paganismo, mas para o livro eu levei cerca um mês pesquisando e lendo artigos históricos. O livro tem pesquisa e intuição.  

5. O que te fez escolher Portugal como cenário para o romance?
Bem, na série que eu tinha escrito, a personagem, Sara, tem ancestrais portugueses. Eu pensei na minha própria ancestralidade para compor a história, por que me sentiria mais à vontade para fazê-lo. Então, Paganus, como vem antes de toda a história (é origem dos ancestrais de Sara do livro Triskle), tinha que ser em Portugal. O mais maravilhoso disso tudo é que descobri minha própria origem celta quando pesquisei para esse livro e foi um momento realmente emocionante e surpreendente, que certamente me ajudou a dar mais emoção à escrita.

6. A bondade do personagem Diogo é evidente e emocionante. Você se inspirou em alguma história (real ou não) para iniciar o romance entre Diogo e Adele?
Não. Eu deixei que eles se apresentassem pra mim. rsrsrs
Esses dois personagens passaram por algumas configurações antes. Escrevi algumas formas de apresentá-los ao leitor e aos poucos eles foram se ligando, combinando, até alcançarem essa afinidade que agradou muito aos leitores e eu fiquei muito feliz com isso! =)

7. O combate entre a turma de Dom Francisco e a aldeia onde vive os pais de Daniele é intenso e de tirar o fôlego. Onde você buscou inspiração para uma cena tão ágil? Algum filme te ajudou na visualização dos embates e lutas?
Eu amo histórias medievais e da idade média. Gosto muito de ler sobre o período da inquisição e assistir filmes sobre isso. Então, eu acredito que essa cena nasceu da compilação de tudo o que já vi sobre o assunto e na qual procurei dar uma personalidade própria e fugir de alguns clichês. 

8.Se você pudesse convidar um dos personagens para jantar com sua família, quem seria? O que você cozinharia para ele!
Ahhh que pergunta interessante! Nunca me perguntaram isso, rsrsrsr
Puxa, que difícil! Acho que eu convidaria a Daniele, por que ela tem um pouco de cada um dos personagens... Eu iria cozinhar para ela nhoque com carne assada, mas não sei dizer porquê! rsrsrsr

9. Que conselho você dá para alguém que quer seguir o seu exemplo?
Preze pela qualidade de seu trabalho. E não pense que só por que você escreveu está perfeito. Não trate seu livro como um filho,por que na maioria das vezes não queremos enxergar os defeitos dele e quando alguém critica nos ofende. Trate como um bem, muito querido e que você quer que melhore e valorize a cada dia. (como uma valiosa herança de família, que também tem todo o relacionamento emocional envolvido). Escreva para que outros leiam. Tenha muita, muita, muita paciência.

10. O que os fãs podem esperar como próximo projeto? Será lançada a continuação de Paganus por alguma editora?
Toda a saga Paganus já está pronta e será relançada, agora pela editora Literata. A novidade para a nova edição são dois novos livros que entrarão entre Paganus e Triskle (que era o livro seguinte na primeira edição da saga). Meus leitores queriam muito saber sobre Daniele no Brasil, então escrevi mais dois livros Samhain e Beltane. E Samhain sai em Outubro. =) 


Para ter mais informações sobre as obras de Simone, é só visitar o blog da autora - sempre atualizado. Ótimooo! http://simoneomarques.blogspot.com.br/

Mais uma vez, gostaria de agradecer esta autora maravilhosa. Não vejo a hora do lançamento da saga Paganus. Quero ler os outros dois!! Obrigada Simone!

segunda-feira, 1 de abril de 2013

Este livro chegou da antiga parceria com a Editora Modo, mas deixa eu contar que foi a autora que me presenteou com um autógrafo lindo! <3

Paganus é inovador de certa forma, já que traz três histórias ao invés de uma, passando por duas gerações. A trama conta as histórias de um católico (Diogo), uma mulher pagã (Adele) e a filha desta última (Daniele).
É interessante ressaltar a questão das religiões, já que a trama se passa no século XVII, momento de Inquisição em Portugal. Então dá para imaginar que as personagens pagãs estão na mira dos católicos, certo?
As relações amorosas e parentais são bem delineadas. É possível praticamente enxergar as histórias acontecendo na mente.
Uma coisa que eu adoro observar é a questão dos diálogos, e neste caso foi tudo de bom. São bem compostos, condizentes com o período apresentado e com as idades dos personagens, dando velocidade e ritmo à trama.
E mais um ponto: os combates são de tirar o fôlego. Quando as brigas começavam eu não queria parar de ler um minuto sequer.
Mais um ponto bacana: a temática. Apesar de muito estudada, é pouco apresentada na literatura romanceada. E abordar a inquisição sob a perspectiva dos pagãos é algo ainda mais inovador. Adorei!
Os personagens são escritos em minúcias ao longo da história, nos livrando daquela descrição feita no primeiro capítulo e repetida ao longo da trama. Mais um ponto a favor. Também preciso colocar a diferença entre o interior e o litoral lusitano é colocado de forma espetacular. As vendas de escravos, a moda, os cheiros das casas.
O livro todo é escrito em terceira pessoa, alternando os pontos de vista dos personagens - não se detendo apenas nos principais, nos dando uma visão panorâmica dos acontecimentos.
O final é interessante e mostra que vem mais aventura por aí - já que a saga Paganus é composta por quatro livros (Paganus, Triskle, Tribo de Dana e Era de Aquário). O que nos resta é aguardar por mais um pouco de aventura em terras não mais lusitanas - única dica.

Agora, como historiadora, eu preciso dizer que o livro foi muito bem pesquisado. As fogueiras da Inquisição, a destruição de pessoas e valores, as razões ridículas para incriminar as "bruxas", a frieza empregada pelos inquisidores é muito real. É tão bom ver um livro bem pesquisado, bem escrito e, acima de tudo, com uma história tão contagiante!

Leiam, leiam, leiam!
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