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quarta-feira, 31 de julho de 2013

Olá galera! Quem acompanha o blog no twitter (@RLeitora) e no Facebook (Fan Page) já estava sabendo que esta entrevista aconteceria em breve - inclusive pedimos que vocês enviassem perguntas para a autora. E desde já, gostaria de agradecer a quem enviou.

Primeiro, vamos conhecer melhor a autora de Filha da Floresta e Filho das Sombras (e muitos outros, mas só estes são lançados no Brasil).
 

Juliet Marillier nasceu em Dunedin, na Nova Zelândia, uma cidade com fortes tradições escocesas que a influenciaram profundamente. Graduou-se em Linguística e Música na Universidade de Otago e tem uma carreira variada que inclui o ensino, a interpretação musical e o trabalho em agências governamentais. Sua famosa trilogia Sevenwaters, A Filha da Floresta, O Filho das Sombras e A Filha da Profecia, ganharam vários prêmios internacionais e a Juliet foi aclamada como a sucessora de Marion Zimmer Bradley, autora da famosa série literária As Brumas de Avalon.

Seu primeiro livro foi Filha da Floresta, escrito em 1999, e logo veio Filho das Sombras em 2000 e Filha da Profecia em 2001. Em 2003 resolveu ser escritora em tempo integral.
Seus romances combinam ficção histórica, fantasia folclórica, romance e drama familiar. Seu foco fica nas relações humanas de seus personagens em sintonia com o mundo natural.

Ela escreve no blog http://www.writerunboxed.com/ na primeira quinta-feira de cada mês.

No site da autora encontramos informações sobre todos os livros: http://www.julietmarillier.com/

Vamos à entrevista com esta super autora:

Os contos nórdicos e lendas irlandesas que você transmite na trilogia Sevenwaters foram contadas à você por seus pais, como Sorcha fez com os filhos dela?
Meus pais adoravam mitologia e contos de fadas, então me contaram um monte de histórias quando criança. Eles eram em sua maioria os celtas - irlandeses e escoceses. Eles também leram para mim e cantaram canções folclóricas. Eu descobri uma ampla gama de mitologia quando comecei a ler livros de fadas de Andrew Lang, que eram coleções de histórias tradicionais de todo o mundo. A partir dessas primeiras experiências, veio o meu amor eterno aos contos de fadas, folclore, mitos e lendas. 

Como historiadora, adorei sua contextualização sobre os valores morais da época em que o livro é situado. Quanto tempo de pesquisa você precisou para começar a escrever "Filha da Floresta"?
Eu fiz uma quantidade razoável de pesquisa histórica, especialmente em relação à religião e à vida diária. Mas essa foi a minha primeira série, e eu não sabia o quanto era importante para obter o contexto histórico certo, mesmo que fosse um livro de fantasia, por isso há um par de erros históricos grandes que eu não faria agora! Eu estava concentrando-se mais sobre os elementos de contos de fadas e a história humana da família de Sevenwaters. Depois do primeiro livro, eu me tornei mais completa na minha pesquisa histórica para cada livro.

Em "Filho das Sombras", temos a história de Liadam, que é muito diferente de sua mãe, Sorcha. Seu espírito livre e independente é motivador e esperançoso. Você se inspirou em algum mito para criar a personalidade de Liadam?
Eu não acho que a personagem de Liadan é inspirada em qualquer história tradicional particular. Ela é mais a mulher que eu gostaria de ser! Além disso, ela contém aspectos de várias mulheres que conheci e admirei na vida real. Eu defino um valor alto na coragem, que é uma de suas principais qualidades.

Se você pudesse convidar um dos personagens para jantar com sua família, quem seria? O que você cozinharia para ele?
Gostaria de convidar Bran (Homem Pintado), que viria acompanhado de seus homens pintados. Eu tenho que cozinhar algo saudável e robusto, talvez uma torta de carne com muitos vegetais. E, em seguida, pudim de chocolate. Cerveja para beber!

Você já veio ao Brasil? Se não, tem projetos de vir para cá?
Não, infelizmente eu nunca visitei o Brasil. Eu adoraria viajar para aí, mas no momento não há planos particulares - é um longo caminho da Austrália. (Seria muito interessante para visitar, durante a Copa do Mundo de Futebol.)

Está escrevendo algo no momento? Se sim, você pode nos dizer alguma coisa sobre?
Atualmente estou escrevendo um romance chamado Dreamers’ Wood,  que é o primeiro livro de uma nova série, Blackthorn e Grim. É outra série irlandesa, mas muito diferente da essência dos livros de Sevenwaters. Ela começa com o personagem central na prisão e prestes a ser executado. Os livros combinam um elemento de conto de fadas com uma forte história de personagens imperfeitos, lutando para colocar suas vidas de volta juntos. Eu não posso dizer mais - é cedo ainda!

Você tem algo a dizer para seus fãs brasileiros? Por favor, deixe uma mensagem para eles.
Olá a todos os meus leitores no Brasil! Estou tão animada por ver a série Sevenwaters publicada aí, e realmente encantada com as edições - a editora me mandou algumas cópias e elas estão muito bem produzidas. Eu fiquei tão satisfeita com o entusiasmo de vocês com os livros, e eu espero que mais do meu trabalho esteja disponível aí (que depende do apoio de vocês, é claro.) Espero ser capaz de viajar para vê-los em algum tempo. Eu entendo que vocês tem um riquíssimo folclore de seu próprio país e gostaria de saber mais sobre sua cultura e história - Eu estou sempre à procura de mais idéias para histórias.

Só tenho a agradecer à Juliet Marillier que, desde o início, foi um doce! Espero que tenham gostado deste post especial. 

segunda-feira, 22 de julho de 2013

Primeiro eu preciso falar sobre esta capa maravilhosa: metalizado fosco azul, com fundo bem escuro dando a impressão de noite, com um corvo saindo das sombras de uma floresta. É uma capa linda e condiz com uma profecia que a história traz. No site da autora é possível ver todas as capas dos livros lançados, e os desenhados aqui no Brasil são os mais lindos. É só clicar aqui e conferir: 
http://www.julietmarillier.com/books/daughteroftheforest.html


Filho das Sombras é continuação de Filha da Floresta. Ou seja, tem que ler o primeiro para entender este. O primeiro capítulo dá um olhar geral sobre o primeiro livro, para nos lembrar o que aconteceu com Sorcha e turma.

Por mais que o título nos remeta a um personagem principal masculino, a obra fala sobre Liadan, filha de Sorcha (protagonista de Filha da Floresta).  A história se passa no crepúsculo celta da velha Irlanda. O domínio de Sevenwaters está ameaçado pelos bretões, que se preparam para guerrear e tomar as terras, visto que estes já tomaram as Ilhas Sagradas. Segundo a profecia, haverá uma criança que finalmente conseguirá a paz entre o povo de Sevenwaters e os Bretões de Northwoods e reconquistará as Ilhas das cavernas místicas e das árvores sagradas. Esta criança levará a marca do corvo e não será nem da Bretanha e nem de Erin (Sevenwaters é um cantinho de Erin).

Sorcha tem três filhos: Liadan (nossa protagonista) que, de início, é conformada com sua vida de curandeira do povoado, e pensa que casamento entre clãs, é a melhor saída para Sevenwaters (lembrando que esta visão era a comum durante a Idade Média). Sean, irmão gêmeo de Liadan, herdeiro de Sevenwaters, rapaz forte e inteligente. Os dois conseguem se comunicar mentalmente, o que é uma mão na roda em muitos momentos de apuros. E Niamh, mais velha que os dois, possui espírito livre e não quer se prender à estas convenções sociais que Liadan pensa ser normal. Ela quer abraçar o mundo e vive em seu mundo próprio. Mas acontece algo com Niamh que faz com que todos percam a confiança nela. Ela é obrigada a se casar com um senhor de terras aliado aos Sevenwaters, que faz dela um ser totalmente diferente.

Quando ocorre um ataque às terras de Sevenwaters, e ninguém sabe de onde vem ou quem o faz, há pânico geral entre os clãs aliados. Então, descobrem que nesta guerra, há um mercenário temido, chamado de Homem Pintado. Ele tem a metade esquerda do rosto normal (e linda) e metade direita toda tatuada, inclusive o couro cabeludo, assim como o braço direito. Uma verdadeira obra de arte. E em uma viagem, Liadan acaba sendo capturada pelo clã deste homem misterioso e atraente.

Tentei manter o semblante calmo, mas por dentro estava morrendo de medo. Justo eu, a menina que só queria ficar em casa cuidando de seu jardim de ervas. [...] Eu, a filha de Sevenwaters, sozinha no covil do Homem Pintado e de seu bando de assassinos cruéis. p. 119

Mas este Homem Pintado é mercenário por uma razão de seu terrível passado. E Liadan é a pessoa mais certa para tentar entendê-lo. Além disso, ele culpa o pai de nossa mocinha pelo que lhe aconteceu. Claro que não vou dar nenhuma dica sobre seu problema do passado, é só para deixar vocês com vontade.

Chego a dizer que é a partir daí que o livro ganha aquela ação tão boa que fica difícil de largar a obra. São 605 páginas de história, mas a partir da 106 que as coisas ficam lindas e cheias de energia.

Nossa protagonista ouve os Seres da Floresta, assim como sua mãe. Mas, ao contrário de Sorcha, ela é independente e não dá ouvidos ao que eles falam se, por acaso, ela considerar errado, ou que não a faz feliz. Ela é forte e, principalmente, corajosa. Além disso, ela ouve não somente estes Seres da Floresta, mas outros mais antigos ainda, que dão ordens que contradizem os primeiros. Liadan fica perdida.

Preferia não ser a escolhida. Os Seres da Floresta eram sorrateiros e agiam de maneira imprevisível. Seus jogos eram complicados, e suas escolhas, nem sempre óbvias. p. 25

Não há um período preciso para os acontecimentos da série, mas podemos pensar no final da Baixa Idade Média, visto que aqui nesta obra, já há sinais de perseguições aos pagãos, remetendo a história ao século XIV.

Outro personagem muito importante em todo o livro é Eamonnm, um jovem muito bonito, senhor de terras, muito educado. Ele quer a mão de Liadam e, a princípio, é fácil se apaixonar por ele, mas as pessoas mudam ao longo da história...

O que mais gosto nesta saga é que fala sobre a mitologia celta irlandesa, que é pouco discutida/apresentada em meio à literatura. Então é claro que já me ganhou por aí. Enquanto a autora conta as aventuras de Liadan, introduz mitos da velha Irlanda, de maneira muito rica. Além de deixar claro que pode haver variações nos mitos, dependendo do público que era contado – o que nos deixa certos de uma coisa: nunca chegaremos ao mito original, o que é uma pena. Como a maioria das histórias mitológicas, no passado, eram repassados oralmente, poucas coisas foram escritas, e durante a inquisição diminuiu drasticamente estes documentos. Possivelmente as histórias apresentadas pela autora foram repassadas pela própria família.

A diagramação é muito bem feita, com detalhes em cada primeira página de capítulo.
Problema: alguns erros de revisão. Palavras com letras trocadas, letras faltando. Não chega a estragar a leitura, mas incomoda um bocado.

terça-feira, 27 de novembro de 2012

O domínio dos Sevenwaters é um lugar remoto, estranho, guardado e preservado por homens silenciosos e criaturas encantadas, além dos sábios druidas, que deslizam pelos bosques vestidos com seus longos mantos...
Passada no crepúsculo celta da velha Irlanda, quando o mito era lei e a magia uma força da natureza, esta é a história de Sorcha, a sétima filha de um sétimo filho, o soturno Lorde Colum, e de seus seis amados irmãos, vítimas de uma terrível maldição que somente Sorcha é capaz de quebrar. Em sua difícil tarefa, imposta pelos Seres da Floresta, a jovem se vê dividida entre o dever, que significa a quebra do encantamento que aprisiona seus irmãos, e um amor cada vez mais forte, e proibido, pelo guerreiro que lhe prometeu proteção.
Livro recebido em parceria com a Editora Butterfly

Primeiro vamos falar sobre esta capa linda: o tom sobre tom dá a impressão de que a figura faz realmente parte da floresta, que é o cenário da história – como o próprio nome sugere.
A trama se passa durante o período medieval, quando havia os senhores donos de feudos. Logo nas primeiras páginas a autora deixa um mapa para situar os feudos e para que o leitor possa entender e imaginar melhor.
Na introdução da obra, a autora explica que se trata de uma história baseada no conto dos Irmãos Grimm, Os Cisnes Selvagens, e mantém elementos das fábulas. Ainda há a explicação de algumas pronúncias do Irlandês Gaélico antigo utilizadas no livro. Por exemplo, Sorcha se pronuncia Sorca.

Sorcha, 13 anos, é a sétima filha de um sétimo filho. Sua mãe morreu durante o parto que deu vida à nossa protagonista, seu pai tornou-se distante de todos e então os 7 irmãos cresceram por si mesmos. Até que a madrasta chega e, digna das fábulas, é vil e má. Quando os irmãos recebem uma magia terrível, Sorcha consegue fugir. Guiada pelos Seres da Floresta, deve realizar uma tarefa a fim de desfazer o mal, sem a ajuda de ninguém e de forma peculiar. Em determinado momento Red, um bretão (inimigo), a encontra, e como não sabe quem ela é, resolve a levar para a sua casa e mantê-la até ter notícia de seu irmão, Simon, que saiu em busca de aventura.
Sorcha é uma ótima contadora de histórias, e é através dela que ficamos conhecendo histórias celtas, da velha Irlanda, demonstrando a riqueza cultural daquele povo. O livro acontece em um espaço de tempo bacana, de 3 anos.

Sim, eu sei que estou sendo muito vaga e posso até estar lhes confundindo um pouco. Mas, por favor, entendam que se eu contar qualquer coisa a mais, estragarei totalmente as maravilhas do livro.
Aventura, impacto, agonia, repugnância. As cenas são fortes em todos os momentos – sejam eles bons ou ruins. O final é interessantíssimo, com várias surpresas e cheio de expectativas. Com um ritmo envolvente, é impossível largar o livro.
Ao longo da lenta leitura – 600 páginas lidas em 5 dias, pude absorver vários elementos expostos pela autora. E o mais formidável, a meu ver, foi sobre a importância da cultura de cada povo, do respeito mútuo e da importância da tradição. O respeito com a natureza também estava presente em todos os momentos.

Pontos Positivos: Não há uma história de amor/paixão repentina. Tudo acontece lentamente, de acordo como as personagens vão se conhecendo – e nós a elas. Tudo muito palpável. A história é bem original (apesar de ser baseada em um conto antigo).

Pontos Negativos: Foi muito difícil pensar em pontos negativos para uma obra tão bela.  Talvez a madrasta tenha aparecido pouco e acabamos não a conhecendo direito. Ficamos sem saber o que ela é, o que faz realmente.

A Editora Butterfly merece uma salva de palmas pelo capricho na diagramação. Os desenhos em cada início de novo capítulo são lindos.

Se este livro é bom? Sem dúvidas! Todos correndo para a livraria em 3,2,1, já!
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