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terça-feira, 14 de agosto de 2012

Em 15 de agosto de 1909, Euclides da Cunha invadiu a casa do bairro carioca da Piedade onde morava o jovem tenente Dilermando de Assis, amante de Dona Saninha, mulher do escritor, disposto a matá-lo. Poucos minutos depois, no entanto, foi o autor de “Os Sertões” quem perdeu a vida, atingido por três balas do revólver do militar.
Este livro relata os meses que antecederam a tragédia e mostra que, ignorando fatos, a imprensa da época transformou Dilermando em vilão, rótulo que o perseguiu até o fim. A maioria dos jornalistas e escritores que acompanhou o ocorrido concordava com a idéia de que Euclides estava no seu direito, quando decidiu tirar a vida do seu rival. Essa opinião encontrou respaldo na opinião pública, que crucificou Dilermando, mesmo depois de ele ter sido considerado inocente pelos tribunais. Poucos seriam aqueles que, não levando em conta a versão cristalizada do ocorrido, levantariam dúvidas sobre a versão dos fatos.
“A mim a tragédia Euclides-Dilermando me abalou profundamente. Sobre ela meditei muito tempo, dominado pela incerteza. Mas quando conheci todos os detalhes do processo, só então vi, senti em tudo a mão glacial e inexorável da fatalidade – a mesma que levou aos seus crimes o inocente Orestes. E uma coisa até hoje me pergunto: haverá uma só criatura normal das que olham Dilermando com horror, que dentro do quadro daquelas circunstancias, não fizesse a mesmíssima coisa?”, questionava-se em 1916 o escritor Monteiro Lobato.

Em Matar Para Não Morrer, a historiadora Mary Del Priore examina o triângulo amoroso entre Euclides, Dona Saninha e Dilermando, mas não fica restrita a ele, analisando também seu pano de fundo histórico. Valendo-se de uma vasta pesquisa, a autora revela que Euclides não agiu como exceção, quando achou que era a hora de matar ou morrer, repetindo os passos de milhares de outros homens que, estimulados pela sociedade, pegaram em armas para tentar limpar seus nomes.
Um retrato, pintado com sangue, de um duelo sem vencedores, só vítimas. O resultado surpreendente prova que, em nome de valores civilizados, como justiça e honra, justifica-se o injustificável.



Acredito que vocês já estejam cansados da minha ladainha de amor à escritora Mary Del Priore! Mas é que, gente, ela é excelente. Ela é demais! Sem dúvida, minha autora nacional de livros não ficcionais favorita!

Matar Para Não Morrer não é um livro chato, monótono – de forma alguma! É dinâmico, com narrativas e diálogos de deixar o leitor sem fôlego! A Mary sabe cortar o capítulo na hora certa – deixando a gente querendo mais!
Esta história (real) fala sobre o triângulo amoroso entre Dona Saninha, Euclides da Cunha e Dilermando de Assis. Veja bem: Euclides não dava atenção à sua mulher – era um traste, na verdade. Então ela encontrou carinho nos braços do militar Dilermando de Assisaí vocês podem me falar: “Ela não devia trair o marido” ou “Por que não se separavam” ou qualquer coisa do gênero. Aí eu digo para vocês: Era início do século XX, uma sociedade patriarcal, machista, onde a mulher não tinha voz. Deveria viver para servir os maridos e os filhos. Aí quando o marido é ausente e bruto, a coisa piora né?!  É! Além disso, uma separação era muito mal vista na sociedade do período – uma desonra – e em geral, culpa da mulher. Claro que a traição era algo que acontecia – só que tudo era muito velado, e somente ao homem era permitido! Quando a coisa era com a mulher, o homem TINHA que “lavar a sua honra”; e lavava como? Com sangue! – Que horror...
Voltando à história: Dona Saninha se relacionou com Dilermando – inclusive teve um filho com ele (enquanto Euclides estava longe). Então o que o bruto fez? Deixou o filho longe da mãe – e acabou morrendo de inanição após 8 dias – que horror! Porém, algum tempo depois Dona Saninha teve outro filho com Dilermando – que sobreviveu, apesar de ser mal tratado por Euclides.

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

  • Guia do Passado: Alegrias, Venturas e Esperanças: Os Anos 1950 e suas Adjacências é um verdadeiro túnel do tempo para quem quer conhecer melhor os anos 1950.

    Um passeio pelos anos dourados dos cronistas Antônio Maria e Sérgio Porto (e suas Certinhas), de Marilyn Monroe, Elvis Presley e James Dean, da construção de Brasília, das chanchadas de Oscarito e Grande Otelo, do samba-canção, da bossa nova, do Maracanã de Pelé e Garrincha...

    A obra traça uma radiografia dos anos 1950, repassando os acontecimentos mais marcantes da década, com fatos curiosos sobre a paixão popular por heróis de carne e osso ou fictícios (de JK a John Wayne, passando pelo Vigilante Rodoviário), sobre o carnaval, sobre as vedetes do teatro de rebolado.

    Registro das expressões mais usadas na época e outras pérolas do cotidiano humano que fizeram da década de 50 um dos períodos mais ricos da história do Brasil e do mundo.

    Um livro emocionante para quem foi testemunha desses eventos e essencial para aqueles que gostariam de ter vivido nessa época.

    Do mesmo autor de Almanaque da Rádio Nacional e As Divas da Rádio Nacional, Ronaldo Conde Aguiar.
Submarino: R$ 29,90
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