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domingo, 9 de março de 2014

Bem vindos ao universo da literatura.
Um livro sensível com uma história e um protagonista cativante, é assim que posso definir o livro da autora R. J. Palacio, O Extraordinário, que possuí 320 páginas e foi publicado pela editora Intrínseca.
August “Auggie” Pullman, é o herói que está prestes a enfrentar uma árdua jornada. Algo diferente de tudo o que já viveu: ele irá enfrentar os desafios da escola pela primeira vez.
Auggie sempre estudou em casa tendo a mãe como professora. O desafio consiste em sua adaptação no meio escolar, o que torna as coisas mais difíceis é o fato de August ter nascido com uma rara doença que deixou sua face totalmente desfigurada. Mesmo após muitas cirurgias e tratamentos, as pessoas ainda o olham com repúdio, seja na rua ou em qualquer outro lugar.
Quase todos em sua nova escola não lhe dão atenção, socializam ou sequer se aproximam muito dele. Auggie enfrenta as dificuldades impostas com muita dignidade. Ainda que em muitos momentos desistir pareça ser a opção mais viável, ele sempre pode recorrer à sua família que o ama indubitável e infindavelmente, sem se importarem com sua aparência – e, na real, até mesmo nós aprendemos a amá-lo.


Narrado em primeira pessoa ficamos expostos às suas divagações, seus medos e angústias. Adentramos em uma vida com outra face. A face de Auggie. A história nos transporta a um universo que nós nem imaginamos como é, o universo das pessoas que sofrem de alguma doença ou vítimas de acidentes cruéis, por exemplo. Através de Auggie podemos ter uma noção de como há uma luta diária sob quaisquer que sejam os problemas.
A relação com a família é bem explorada e digna de nota. Quando eu me tornar pai, certamente, terei algumas coisas desse livro como guia. Dentre outras mensagens, o livro explora a importância da amizade e narra uma verdadeira batalha contra o bullying.
Apesar de ser narrado em primeira pessoa, há capítulos de personagens secundários, mostrando seu ponto de vista em relação ao que acontece. Impossível não se identificar com alguns deles.
Eu, particularmente, adorei as referências a David Bowie e aos livros O Pequeno Príncipe e O Homem Elefante, dentre as demais, essas se destacam. E quem é que não gosta de referências, não é?



Extraordinário é um livro amável, sensível e, acima de tudo, uma leitura cativante, simples, ágil e poderosa. Demorei alguns meses para ler, mas desde a primeira vez que li sua sinopse e busquei informações sobre a história, tive certeza que leria um ótimo livro. E foi exatamente o que aconteceu. Um história sobre compaixão, aceitação, gentileza, amor e esperança que deve ser lida, principalmente por nossas crianças. Livros como esse deveriam estar nas nossas escolas.
O nome do livro já o classifica por si só. 

Sobre o autor

Hugo Sales Hugo Sales
Escritor e músico aprendiz. Cinéfilo dedicado. Herdeiro do Resenhas de Uma Leitora. Contista e RPGista. Mente Inquieta. Escreve sobre literatura, pois, não consegue viver sem e adora compartilhar seus pensamentos e gostos.

domingo, 24 de novembro de 2013

Livro lançado pela editora Novo Conceito este ano, com tradução de Paula Gentile Bitondi.


 Lacey Lancaster decide reorganizar sua vida após um divórcio conturbado. Não quer mais nenhum tipo de relacionamento, pois acredita que os homens são todos iguais. Então se muda para um pequeno apartamento com sua gatinha Cleo.
Lacey é uma mal humorada de primeira, que reclama de tudo. Talvez isso se deva pelo fato de sua vida amorosa não ser o que ela sonhou; o trabalho não é dos melhores – seu chefe não dá a mínima para ela e ainda leva todo o crédito das conquistas.
Após um ano morando naquele apartamento, Lacey começa a se estressar com seu vizinho, Jack Walker, que tem brigas escandalosas com uma jovem, sobre morarem juntos. Jack também tem um gato, chamado Cão, que resolve aprontar para cima de Cleo.

Jack é um lindo, bem humorado, divertido e romântico. Por quê sempre a mulher é a mal humorada? (devaneios).
Bem, Cão resolve namorar Cleo, que engravida. E agora? Lacey fará Jack assumir sua responsabilidade, entre outras coisinhas...

Bem, o livro é bem curto, com apenas 139 páginas de história e duas páginas com receitas para gatos. Então você o lê em uma sentada mesmo. A escrita é leve, apesar de eu ter me estressado com o mau humor de Lacey.
É claro que vocês já se ligaram que rola alguma coisa entre lacey e Jack, mas quero dizer que o romance, apesar de ser leve e bacana, não tem uma história que convence. Claro que eu não vou contar tudo, maaaaas posso dizer que a paciência do cara não me convenceu... OU será que eu estou, apenas, ficando ranzinza como Lacey (oooh não!!!)

A diagramação é bacana. A cada início de capítulo há um desenho de dois gatos românticos, a paginação fica na lateral (onde me perdi muitas vezes, de tão acostumada que estou com a paginação na parte inferior da página), mas não fica feio. Letras com um tamanho bom. Acreditem, faz toda a diferença – ninguém merece ler aquelas letras tão pequenas que mais parecem pertencer a uma bula de remédio.

Posso dizer que o livro tem uma lição a nos passar. Muitas vezes, nós não vemos o que está na nossa cara. Só enxergamos o que queremos, o que nos é conveniente. Essa é a mais pura verdade. Algumas vezes, dói pensar que alguém que amamos tanto pode nos trair (não só em relacionamentos amorosos!). Preferimos continuar cegos, fingindo não ver o que está posto em nossa frente.

Um livro rápido, interessante, escrita leve e com uma boa mensagem. Adorei! E espero que vocês gostem tanto quanto eu.


Citações:
"- Você conseguiu ouvir alguma coisa que eu disse?
- Consegui ouvir sua dor e foi o suficiente". P. 71

"Parecia muito pouco em vista das possíveis consequências, mas, quanto menos conversassem, melhor. Quanto mais o analisava, mais se sentia atraída por ele, o que não fazia sentido algum. Ela parecia alguém em uma dieta restrita, totalmente seduzida por uma bandeja de sobremesa". P.23

"'É algum tipo de maldição', Lacey pensou. Ela estava fadada a se sentir atraída pelo tipo errado de homem. Provavelmente havia algum nome científico para isso, algum termo que os psicólogos utilizavam para descrever mulheres como ela. “Louca de pedra”, ela decidiu. Envolver-se com ele seria totalmente desastroso". P. 30

terça-feira, 19 de novembro de 2013


Olá, leitores e leitoras! Essa resenha foi publicada originalmente no Legado das Palavras.

Em 2012 assisti ao filme As Vantagens de Ser Invisível que figurou, certamente, em um dos melhores filmes lançados no ano. Conferir o filme me impulsionou a partir em busca do livro, afinal, além das ótimas atuações e da trilha sonora, o filme possui uma história linda. Publicado pela editora Rocco, o livro do escritor – também diretor e roteirista da adaptação cinematográfica – Stephen Chbosky possui 223 páginas.
As Vantagens de Ser Invisível é um romance epistolar, ou seja: é totalmente narrado através de cartas, embora existam outras formas de desenvolver, como notícias de jornais ou diários, mas este não é o caso. O livro apresenta as cartas escritas pelo jovem apelidado de Charlie a um destinatário incógnito, o leitor, onde narra os acontecimentos de sua vida atual: o verdadeiro deságio que é o início do ensino secundário, a superação do suicídio de seu melhor amigo, meses atrás, e um grave trauma de infância. Entre os temas abordados podemos destacar a sexualidade, o uso de drogas, introversão, além de estampar a importância de amizades em nossas vidas.
Chbosky narra a vida de Charlie com extrema sensibilidade, logo nas primeiras páginas fica difícil não se identificar com o protagonista, muitos já enfrentaram alguns de seus medos e também tiveram as mesmas dúvidas. O autor buscou inspiração em sua própria vida para criar alguns personagens e dar mais veracidade à trama. O livro trata com naturalidade alguns temas polêmicos como a descoberta e o uso de drogas por conta de Charlie, outro tema importante é a abordagem de uma relação homoafetiva, muito bem retratada, que ajuda a expandir horizontes e quebrar paradigmas.
A escrita de Stephen Chbosky não apresenta genialidade, ou apresenta, depende de como você analisar. Ela não é difícil, clássica e muito descritiva, entretanto, vale lembrar que estamos lendo “cartas” de um jovem do ensino médio, cujo à paixão pela literatura e o dom para escrita é bem demonstrado, logo, temos uma narrativa a altura do personagem, o que faz nos identificarmos ainda mais com Charlie.
A obra possui muitas inspirações, um delas é o escritor Stephen King. Segundo Chbosky seu livro possui muito de algumas obras do mestre do terror, livros Carrie e O Iluminado, além do conto, Conta Comigo. Fã confesso do escritor vale citar o que Chbosky disse em uma entrevista, ele acredita que King seja “o maior contador de histórias de todos os tempos”. O livro também apresenta uma vasta lista de referências musicais – aliás, o ditado “sexo, drogas e rock’n roll” se encaixa perfeitamente aqui e chega até mesmo soar de forma poética -, algumas das bandas citadas são: Nirvana, Beatles, Pink Floyd e, claro, The Smiths com a música Asleep (favorita de Charlie). Outras ótimas referências são as literárias, Bill, professor de Charlie, o estimula através da leitura e indica grandes obras da literatura como: Uma Ilha de Paz (John Knowles), Walden (H.D. Thoreau), O Sol é para Todos (Harper Lee), O Grande Gatsby (F. Scott Fitzgerald), Peter Pan (J. M. Barrie) A Nascente (Ayn Rand), Hamlet (William Shakespeare), Almoço Nu (William S. Burroughs), Este Lado do Paraíso (F. Scott Fitzgerald), On The Road/Pé na Estrada (Jack Kerouac), O Estrangeiro (Albert Camus) e O Apanhador do Campo de Centeio (J.D. Salinger).
Não quero entrar muito na história por achar que ela é sensível demais e qualquer mínimo spoiler pode vir a comprometer a leitura, contudo, esta é uma obra recomendada, onde é praticamente impossível não se identificar com alguns dos personagens ou com o que estão vivendo. A sutileza da história nos faz refletir acerca de alguns aspectos, como a amizade, por exemplo. A leitura é indispensável, mesmo a adaptação cinematográfica sendo extremamente fiel e tão boa quanto o livro.
Nós somos infinitos.

PS: Escrevi sobre o filme aqui.

Sobre o autor


Hugo Sales Hugo Sales
Aprendiz de escritor, músico iniciante e cinéfilo. Herdeiro do Resenhas de Uma Leitora. Contista e RPGista. Mente Inquieta. Escreve sobre literatura, pois, não consegue viver sem e adora compartilhar seus pensamentos e gostos.

terça-feira, 12 de novembro de 2013



Quando James Bowen encontrou um gato ferido, enrolado no corredor de seu alojamento, ele não tinha ideia do quanto sua vida estava prestes a mudar. Bowen vivia nas ruas de Londres, lutando contra a dependência química de heroína, e a última coisa de que ele precisava era de um animal de estimação. No entanto, ele ajudou aquele inteligente gato de rua, a quem batizou de Bob (porque tinha acabado de assistir a Twin Peaks).Depois de cuidar do gatinho e trazer-lhe a saúde de volta, James Bowen mandou-o embora imaginando que nunca mais o veria. Mas Bob tinha outras ideias. Logo os dois tornaram-se inseparáveis, e suas aventuras divertidas — e, algumas vezes, perigosas — iriam transformar suas vidas e curar, lentamente, as cicatrizes que cada um dos dois trazia de seus passados conturbados.Um Gato de Rua Chamado Bob é uma história comovente e edificante que toca o coração de quem a lê.


Um gato de rua chamado Bob narra a história verídica de James Bowen, o autor, que se vê aos quase 30 anos um dependente químico em recuperação, sozinho, morando num lugar medíocre, tocando nas ruas de Londres e sem objetivo até encontrar na soleira do apartamento vizinho um gato. Maltrapilho, sujo, doente, magro e laranja.
Ele se encanta de primeira, porém acredita que o vizinho é o dono e mantém distancia. Quando James descobre que o laranjinha é um gato de rua, se afeiçoa e o leva para sua casa, e assim começa a história.



“ Talvez ele tivesse visto em mim uma alma semelhante.”

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

- Sempre amei os livros – ela disse baixinho. – Adoro tê-los por perto. Amo me perder em uma história, em um mundo. Adoro poder me tornar qualquer pessoa, poder viver qualquer fantasia. p.172

Em “Só Tenho Olhos Para Você”, temos a história que fala sobre o amor de infância entre Sophie e Jake. Ela, a menininha dos Sullivans, é uma bibliotecária que ama o que faz, assim como ama Jake. Claro que ele também a ama, mas não se acha bom o suficiente para merecer o amor dela. Eles se conhecem há 20 anos e se amam desde sempre. Preciso dizer que adoro histórias assim, com amores do passado – convencem mais do que aquelas com amores de 3 dias.  Ela é romântica, inteligente, esperta. Ele é o bad boy mal encarado, tatuado, lindo, que trabalha muito e é dono de seu próprio pub.

Sophie é determinada. Ela resolve que quer Jake e vai atrás, sem querer saber para o que os outros pensam. É claro que os dois enfrentam algumas situações complicadas durante a narrativa. Ela se decepciona, ele tem que provar (principalmente para si mesmo) que é merecedor do amor que ela dá, e mais, que ele pode amá-la intensamente. Ela se importa com o que ele pensa.  Ele a maltrata porque se considera Inferior à ela. É um jogo de gato e rato interminável, mas esse é o charme da trama da Bella.
O livro tem uma capa aveludada, na tentativa de aumentar a sensação de que o livro é sensual. Achei divina – muito melhores que as originais da autora, que são muito feias. Portanto, a Novo Conceito caprichou na arte. A diagramação é normal, sem firulas.
A cada livro a série evolui. Amei o Gabe, mas Jake e Sophie são melhores ainda.  Eles são mais quentes que os outros três anteriores. Há uma história, não somente sexo. Então tem horas que senti um aperto na barriga, pelas discussões, pela tristeza de Sophie.
Gostei. Ainda estou esperando mais. Mas é o melhor até agora, com certeza!

Ps: Sophie tem um apelido na família – Boazinha. Esta tradução é terrível. Algo como Agradável combinaria mais com o contexto (quem ler vai entender). Mas agora já foi... Inclusive a tradução deixou a desejar em alguns pontos, mas nada que estrague a leitura.


O coração dela se apertou diante da maneira como o irmão a olhou, como se fosse uma menininha a quem ele precisasse proteger. Será que ele não via? Era exatamente por essa razão que ela precisava fazer isso. Assim, todos parariam de pensar nela como a doce e meia Boazinha. p.26

domingo, 20 de outubro de 2013

Olá (há quanto tempo, eu sei)... Estou com vários livros para resenha e esta semana eu pretendo colocá-las em dia, sem falta.
Passei por alguns momentos complicados nos últimos tempos, mas agora voltei :D

Vou começar com uma resenha que, na verdade, não foi feita por mim, mas por uma amiga muito inteligente, a Luane, que adora ler (lembram quando eu falei que estava precisando de ajuda para ler tudo o que chega? Pois é, ainda bem que algumas pessoas se prontificaram *-*).

Sem demoras, vamos à resenha?

Antes de começar a leitura do livro, fazendo uma análise da resenha, imaginei que se tratasse de mais um livro de romance adolescente mamão com açúcar. Ao começar a leitura, me deparei com uma história gostosa de se ler e que tem uma capacidade enorme de prender a atenção do leitor.

O livro conta a história de duas amigas: Lani e Erin. A primeira é calma, gosta de Astrologia e tenta decifrar os mistérios do destino. Erin, é o oposto, é  bastante temperamental e teima em pensar que o mundo e as pessoas giram em torno dela.
Apesar de serem tão diferentes, existe entre elas um elo que ultrapassa o sentimento de amizade devido a um acontecimento passado que mudou a vida das duas meninas.
A partir do momento em que Erin conhece Jason e passa a se relacionar com ele, a amizade entre elas passa a ficar ameaçada, pois Lani e ele tem uma afinidade fora do comum e criam um laço muito forte!
Lani tem a certeza de que Jason é sua alma gêmea e o sentimento é recíproco. Ela, então, decide se afastar do namorado da amiga, pois não acha certo se apaixonar pela mesma pessoa que sua melhor amiga é apaixonada!
O fim do ano letivo chega e Erin vai viajar, deixando Jason e Lani apaixonados – sem saber que essa viagem pode ser o começo de um amor ou o fim de uma amizade.

Rien ne va arrêter ma quête pour trouver.”


Esse foi o primeiro livro que li de Susane Colasanti, mas já  simpatizei muito com a autora, principalmente pela maneira de abordar dilemas que não estão presentes apenas durante a adolescência. Ao final do livro, há uma pequena introdução de dez páginas de um outro livro da mesma autora: “Bem mais perto” – que eu li e fiquei com a sensação de quero mais.

terça-feira, 15 de outubro de 2013



Resenha publicada originalmente no Legado das Palavras.

Olá, queridos leitores e leitoras!
Se emocionar ao ler um livro é extremamente normal, desejar um final diferente, onde todos sorriam e a “vida” transcorra perfeitamente bem, também. Mas, e quando isso não acontece? E quando o fim é melancólico e triste, além de totalmente fora do esperado? Nesse caso, podemos apenas aceitar que alguns escritores sabem conduzir uma história de tal forma que te faça sorrir, mesmo com o final não esperado e desprovido daquela felicidade criada e almejada, durante a leitura, para o final do livro. Se o final decepciona, a culpa é do autor. Caso satisfaça, a culpa também será dele. Porém, o que acontece quando sorrimos e ficamos com os olhos marejados ao terminar o último capítulo? De quem é a culpa? Bem, acredito que A Culpa é das Estrelas.
Sem mais delongas, vamos às considerações sobre o livro A Culpa é das Estrelas, do autor John Green, publicado no Brasil pela editora Intrínseca.

Sorrir e chorar. Algo que realmente acontece durante a leitura, Green é habilidoso na escolha das palavras, constrói diálogos interessantes e, por narrar em primeira pessoa, aproxima de modo excelente a personagem, Hazel Grace, do leitor. Aliás, Hazel é o grande destaque do livro, mais que a doença, mais que o romance, mais que a filosofia investida. Uma personagem apaixonante, desde as primeiras páginas até a última. O.K. Às vezes ela se torna irritante, mas, por outro lado, isso humaniza ainda mais Hazel. Mas ela não é a única, Augustus Waters, o Gus, é outro personagem que fará os leitores repensarem muitos aspectos de suas vidas, cheio de metáforas e tão filosófico quanto necessita ser, John Green oferece diversão, alegria, melancolia e muita filosofia na história, através da jornada deste dois personagens. Claro, não podemos nos esquecer do câncer.
A doença ao mesmo tempo é o elo entre todos os acontecimentos do livro, salta aos olhos dos leitores a todo instante, entretanto, fica cada vez mais secundário conforme a trama se desenvolve, magistralmente, o autor consegue lhe fazer se esquecer da doença, mesmo ela estando ali, dentro dos personagens. E, no fim, lhe Green aplica um golpe fulminante, uma reviravolta surpreendente.
Na trama, Hazel Grace é uma paciente terminal que, mesmo lutando contra a doença, auxiliada pela medicina, sabe o desfecho final de sua vida. O que ela nem poderia desconfiar é que alguém entraria em sua vida para, literalmente, fazer a balança pender e mudar sua história. Augustus Waters, o garoto que toda garota quer. Eles se conhecem graças aos encontros do Grupo de Apoio a Crianças com Câncer. Ambos irão completar as ausências de suas vidas em um romance inspirador, corajoso, irreverente e brutal.
John Green arrisca o final de seu livro com uma reviravolta surpreendente, o que faz a diferença, sem dúvidas. Ele consegue conduzir e alternar o tom da história de maneira natural, sem forçar a barra. Em A Culpa é das Estrelas, navegamos no cotidiano de pessoas com câncer, vemos como isso afeta todos à sua volta. A palavra que melhor pode descrever a sensação após o término do livro - tendo em mente que existem pessoas reais como Hazel e Gus - é: Inspiração. O romance é inspirador, te faz ter vontade de viver e lutar mais por seus objetivos. Este é um livro que mostra o porque da Literatura Jovem estar se expandindo para públicos distintos com tamanha eficiência.
Assim como o final de Uma Aflição Imperial, romance por qual a personagem Hazel é apaixonada, o fim de A Culpa é das Estrelas é inesperado, contudo, você já sabe qual o desfecho, foi dito desde o início, o que realmente importa é a jornada. O fim te faz sorrir enquanto lacrimeja. Faz você pensar e repensar. A história insiste em retumbar na nossa mente. Faz você querer mais. Mas satisfaz.
E lembre-se: alguns infinitos são maiores que outros. Okay? Okay.

Sobre o autor

Hugo Sales Hugo Sales

Aprediz de escritor, músico iniciante e cinéfilo. Herdeiro do Resenhas de Uma Leitora. Contista e RPGista. Mente Inquieta. Escreve sobre literatura, pois, não consegue viver sem e adora compartilhar seus pensamentos e gostos.

terça-feira, 8 de outubro de 2013

“Existe algo em um vestido de noiva...”,disse me Sherry.”



Em uma cidadezinha, a 100 quilômetros de Detroit, há uma loja antiga com mais de 78 anos que se tornou um ícone em roupas para casamento e vestidos de noiva. Por ali já passaram mais de cem mil moças: noivas, mães e madrinhas. Seus vestidos vão além de roupas elegantes para mais uma cerimônia: eles representam, no imaginário das noivas e de seus pais, a garantia de uma noite de princesa, um símbolo do “felizes para sempre”.
Para estas moças, este lugar é, certamente, uma linha divisória: de um lado está a fé no amor e no romance e, do outro, a ingenuidade e o medo.
Da substância desses sentimentos contraditórios, Jeffrey Zaslow selecionou histórias que às vezes nos fazem rir, às vezes nos partem o coração, mas que oferecem um panorama do que é o casamento e do que as famílias ensinam às suas filhas sobre amor e compromisso.

Admito que quando peguei esse livro da Came para ler estava super animada, embora imaginasse que o livro abordaria apenas a história da loja de vestidos de noiva, Becker’s Bridal,  como ela surgiu e se manteve após 70 anos de história.
Quando comecei a ler e vi que a narração tinha um tom de documentário, desanimei, por puro medo e preconceito de enfrentar 300 páginas de uma narração seca e impessoal, mas o livro se mostrou tudo exceto isso. O livro conta a história da loja, desde sua criação em 1934 com a Vovó Eva até o dia de hoje com a Shelley, sendo o livro escrito em 2010. Além disso, o livro nos mostra histórias diferentes e emocionantes sobre diferentes noivas.
Os capítulos intercalam a vida de Shelley, dona da loja e neta da fundadora, e como ela trabalha uma jornada de mais de 12 horas durante seis dias por semana, como isso afetou sua vida pessoal desde a infância até hoje. Foi profundo saber disso, saber o quanto um negócio de família afetou a ela, a seus filhos, principalmente a Ashley que trabalha junto a ela e como ainda assim ela ama aquele negócio.
Outro ponto importante são as noivas, todas as histórias me emocionaram de forma singular. Desde a noiva que havia feito um voto de pureza que só beijaria o homem que se casaria, a noiva que casou-se aos 40 anos, a noiva que perdeu sua mãe de forma abrupta, até aquela que estava se casando pela segunda vez. Algumas destas histórias, que são reais, quase me arrancaram lágrimas dos olhos e isso me surpreendeu.
O livro escrito perfeitamente por Jeffrey Zaslow, que faleceu há um ano, foi seu último livro e como isto deixou a sua marca e a sua lição. Podemos achar o amor de todas as formas e em todos os lugares, basta que olhemos para isso e este foi a sua missão, mostrar que o amor está em todas as formas e lugares, que belas histórias não estão destinadas apenas aos livros.E através de sua narração, simples, detalhista e emocionante me cativou.
A Editora Novo Conceito está de parabéns por todas as imagens e detalhes que deram toda a magia que o livro nos transmite. Minha única ressalva é um errinho de diagramação na página dezenove.

Aconselho esse livro a todos que gostam de ler sobre o amor, e desejam uma nova forma de se encontrar a ele. Recomendo a todos que ainda creem no casamento e que veem nele o início de uma nova etapa de vida.

sábado, 14 de setembro de 2013

“A princípio, foi uma mudança sutil, como costumam ser as mudanças nos relacionamentos; fica difícil saber quando de fato começou.”


Cláudia Parr nunca quis ter filhos, e isso espantou quase todos os caras que ela se relacionava. Até que encontra Ben, um cara perfeito que também não quer filhos.
Mas, com o passar do tempo, um deles muda de ideia. E agora, com o casamento abalado, eles terão que colocar na balança o que realmente importa para cada um.

Cláudia é uma teimosa daquelas que tira a gente do sério. Não gosta de dar o braço a torcer em momento algum. Prefere ignorar um problema ao invés de tentar resolvê-lo.
Ben é um cara bem relax, divertido e amoroso. O cara não existe – é o tipo perfeito! Não é daqueles perfeitos fisicamente, mas em sua essência – apesar de ficar claro que ele é muito bonito, sim senhoras.

Um livro que fala sobre o amor em todas as suas formas. Emily aborda os estereótipos sociais que rodeiam as famílias. Por que logo no início do namoro, já estão perguntando quando será o casamento? Por que após o casamento já perguntam sobre filhos? As convenções sociais acerca dos relacionamentos são sempre as mesmas.

Não é um livro triste, mas nos faz pensar sobre várias questões, como os próprios relacionamentos, futuro, prioridades. Uma relação, em si, é um eterno abrir mão de coisas – isso de ambos os lados. E esse é o detalhe que faz toda a diferença: até onde você pode abrir mão de algo para que seu parceiro seja feliz, sem que você perca a felicidade? A frase pode parecer um tanto contraditória, mas não encontrei melhor maneira de expressar a questão.

O final foi, digamos, até uma surpresa. Esperava algo diferente, mas é claro que não posso reclamar disso (e nem falar sobre, claro).

Eu adoro os livros da Emily, apesar de achar que este se arrastou em algumas partes. Eu já entendi que um dos dois não queria filhos enquanto o outro queria, mas a conversa ainda se arrastava sobre o mesmo ponto. Isso me desanimou – mas foi só um pouquinho. Fora isso, a narrativa é até bem empolgante, o que deixa um livro leve, apesar dos temas um tanto pesados.

Qual é o seu limite para este sentimento? Até onde você vai por amor?


“Ambos acreditávamos que um relacionamento que não tivesse um pouco de mágica não valia a pena.”


“Olho nos olhos dele e sei que chegou ao fim. Então, não tenho outra escolha a não ser me levantar, abrir a porta e partir.”


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terça-feira, 27 de agosto de 2013

A Herdeira do Mar traz uma proposta jovem, com os elementos básicos (leia-se: necessários) para tanto: romance, loucuras juvenis, impasses, novidades. Mas tem um ponto diferente: traz o sobrenatural, mas sem vampiros ou lobisomens que tanto estamos acostumadas. Desta vez ela traz a vida marinha. Em tempo: são poucos autores que fazem tentativas de escrita com isso. Aqui no blog esta é apenas a segunda resenha envolvendo o tema, a primeira foi Vida Abissal, de Kate Falls. 



Voltando ao livro, vou falar um pouco sobre a história e personagens:
Cordélia Dolphin é uma jovem que está completando 18 anos. Linda, popular onde passa, inteligente. Desde pequena muda-se constantemente com o pai para diversas cidades. No início do livro acaba de mudar dos EUA para uma cidade na costa da Austrália e, ao que tudo indica, ficará por ali.
Cordélia mora somente com o pai, Henri Dolphin, já que sua mãe morreu quando ainda era pequena. O que Cordélia não sabe é que a mãe lhe deixou um grande segredo e grandes poderes com ele. A relação entre pai e filha é muito leve. Ele é liberal em relação aos namorados, ao fato de ela poder beber demais em uma festa de aniversário, ou ela torrar seu cartão de crédito em compras.

Só um pedaço da sinopse para vocês:
Seu mundo (o de Cordélia) vira de cabeça para baixo com a chegada de Morgan, um rapaz misterioso que rodeia sua casa e sabe detalhes sobre ela impossíveis de um desconhecido saber. Ao completar seu aniversário de dezoito anos, a vida que conhece muda completamente: ela descobre que sua mãe era uma sereia, filha do Rei de Atlântida, o governante de todos os mares. Morgan finalmente mostra a que veio: ele é um tritão, designado a protegê-la e guiá-la desde o dia em que nasceu.

Nossa protagonista chega à nova escola no último trimestre do último ano – pense na falta de sorte. Tem tudo para ser a menos popular, certo? Pois é, mas acontece que a Cordélia tem algo especial, pois encanta a todos (ou pelo menos, todos os rapazes), o que a faz ser uma das mais populares em pouquíssimo tempo. Inclusive conhecemos três amigos que ela faz assim que chega à nova escola: Josh, um cara muito bacana e lindo; Dylan, um querido que namora a linda Nathalie, que se torna a melhor amiga de Cordélia.
Mas, porém, entretanto, todavia... deixei um personagem por último, por que me conquistou mesmo: o querido, lindo, paciente e lindo novamente Morgan. Ele é um tritão guardião da princesa. A propósito, ele deixa Cordélia (e a mim também, simples leitora) maluca com seu charme todo. #TeamMorgan

Como já disse, é claro que há um triângulo amoroso! Então é Morgan, Cordélia e Josh, que também é um fofo, prestativo, lindo. Mas é claro que a gente torce pelo Morgan de cara, já que o negócio entre ele é Cordélia é quente, elétrico; enquanto que quando ela está com Josh, a relação é morna. Em tempo: gostei ainda mais da Cordélia quando ela mostrou que corre atrás do que quer, não fica esperando as coisas caírem do céu (ou um Morgan vir do mar)...
Cordélia é a perfeição em pessoa. Não possui nenhum defeito físico, causando inveja nas mulheres e cobiça nos homens. Isso acontece em razão de sua descendência abissal, que tende a formar seres perfeitos aos olhos humanos, para que possam encantá-los quando necessitarem. Além disso, Cordélia é especial tanto entre os humanos quanto entre os seres do mar (além de ser a princesa), mas esse é mais um segredinho para desvendar.
Vejam só, eu não posso contar muitos detalhes apresentados, pois a obra perderia seu charme. Afinal, um assunto puxa outro, aí já viu que eu conto tudo né!

A vida abissal (marinha) proposta pela autora é bem explicada. Desde o início com a descendência de Poseidon passando pela Maldição de Hades, que é o fato de acontecer desgraças em terra até que os seres do mar voltem para a vida marinha. E quando a querida protagonista teimosa insiste em continuar fora da água, algumas coisinhas acontecem...
Como se trata de uma série, este primeiro volume é uma apresentação à vida no mar, além de podermos conhecer os personagens principais. Porém, a narrativa é muito leve, então você lê muito rápido. Logo, você não quer que acabe – motivo que me deixou brava com a Ize. Ela ainda não começou escrever a continuação, e eu fiquei maluca hehe.

De modo geral, a autora ainda aborda a normalidade da vida jovem, como amigos, festas, dilemas... Intercala momentos leves com mais intensos, de descrições detalhadas sobre algo, além de apresentar passagens engraçadas, onde eu ria muito. A cabeça de Cordélia é completamente de acordo com sua idade: 18 anos, onde a individualidade é o foco mesmo. Então ela faz algumas coisas por egoísmo, mas é o que rola nesta idade, todos nós sabemos.
Ainda há algumas cenas de sexo, porém não são escancaradas, então as mocinhas estão liberadas para ler o livro hehe. De vez em quando o negócio dá uma esquentada, mas não é nada muito grave, eu acho.

O livro é escrito em terceira pessoa, focando nos ponto de vista da Cordélia. Em alguns poucos momentos observamos o ponto de vista de Morgan, e ficou bem legal (ele tem uma cabeça um pouco confusa, e é muito divertido).
A base da proposta concentra-se em uma variação do mito de Atlântida somado à mitologia grega – o que entra totalmente em meu campo. Não se trata de mitologia grega pura, mas uma variação muito bem explicada. Dá para ver que eu gostei da obra né!

Como nada é perfeito, dois pontos negativos:
: O uso de gerúndios me incomodou um pouco. Acho que não fica legal colocar gerúndio na literatura (nem em lugar algum).
Um dos exemplos: “ - Vou estar esperando na sala.”

: A dona Ize ainda não escreveu a continuação. Não gostei. Queria mais, agora! Hehehe

Recomendo a leitura da obra para todos. E vão ao estande da Modo na seção de autógrafos (avisada aqui). Ela é autora independente, mas vai ocupar um espaço da Modo para tanto.


E aí, o que acharam? Topam ler?


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quarta-feira, 14 de agosto de 2013

Este é uma obra de lançamento independente de um autor parceiro do blog, apresentado recentemente (http://www.resenhasdeumaleitora.com.br/2013/07/autor-parceiro-aurelio-mendes.html).

Orbis é uma distopia.

No prefácio há uma contextualização histórica rápida para situar o leitor em alguns aspectos (como historiadora, eu preciso dizer que há alguns pontos de inconsistência). É a parte real da obra, abrindo o espaço para a ficção. Devo dizer que, apesar das inconsistências, é um momento necessário para que a obra seja entendida como um todo.

Imagine: Ano de 2045. Seres humanos desenvolvidos somente em laboratório, de maneira independente e padronizada. É retirada toda e qualquer emoção do indivíduo, além de serem estabelecidas castas para estes. Não há qualquer envolvimento afetivo. Até o indivíduo completar 18 anos, passa em treinamento para só então ser liberado para a “vida”.

Além disso, o planeta não conta mais com países, mas com colônias – no livro são apresentadas duas: onde se passa a história, chamada de Andrômeda e outra chamada de Antília. É proibido pensar – quem o faz e age de forma subversiva à sociedade é interrogado em um Inquérito e enviado para a Exoría, algo como o exílio, uma espécie de prisão. Logo, há um modo operacional funcionando. Nada de liberdade, muito menos de expressões.

O planeta tem um único “senhor”, o chamado “Pai”. Ele é onisciente e onipotente. Sim, lembra uma religião, mas não se trata disso. É um cara que governa o mundo todo, todas as colônias.
Musin é o protagonista. Ele é diferente dos demais indivíduos, que foram programados para não pensar e, muito menos, para questionar. Musin pensa que algo está errado naquele sistema. A razão para ele ser desta forma é dita ao longo do texto, e é claro que eu não posso contar.

Tudo muda quando Musin encontra um livro, intitulado “Diário da Origem da Realidade”, que inicia com relatos na cidade de São Paulo, em 20 de Abril de 2013, citando uma terrível guerra que acabou de iniciar. As notícias são catastróficas! A razão oficial para esta guerra mundial é o chamado “Blue Gold”, que seria a água. Porém, há uma razão extra oficial: que não contarei qual é!

O sistema é dividido em castas, que definem quem é o quê, e faz o quê.
Nosso protagonista, Musin, é um caput, um cara desenvolvido para pensar e trabalhar na burocracia. Há, ainda, os arma (função de servir e obedecer), os cistam (fazem o trabalho manual, braçal), e os corpora (alto escalão, são os que mandam em tudo). Estes últimos, inclusive, tem padronização estética, com olhos verdes e cabelos ruivos, para fácil reconhecimento.
Para manter a ordem, há outra classe: a Guarda Nacional. São escolhidos a partir de notas genéticas. Ou seja, quando há a formação do indivíduo no laboratório, os genes são submetidos às avaliações para saber se atingiram a nota necessária para fazer parte da Guarda Nacional.

Orbis tem capítulos curtos, dando agilidade à narrativa.
A linguagem de Orbis tenta ser uma pouco mais formal, porém tem alguns errinhos de inconsistência, redundância, falta de vírgulas... Por exemplo, em determinada página há a expressão: “Iria ter”, onde o certo é “teria”. Impliquei, claro. Como podem ver, isso não estraga a história, como um todo, mas é um detalhe que me incomoda. Ou outro exemplo:
Angel pegara na minha mão após as palavras de Toussaint e fixara seus olhos nos meus. Com uma voz firme e rouca ao mesmo tempo, disse:” p. 139
Vamos lá: se pegara, então dissera. Se pegou, então disse. Veja, estas diferenças de tempo verbal no mesmo momento ficam estranhas. Fica desproporcional, faz perder o ritmo.

Há uma mistura de presente com passado – e isso foi um ponto positivo, pois deixa algo leve. Aurélio Mendes faz referências a grandes pensadores e escritores, como Foucault, George Orwell e Aldous Huxley... (que eu lembro agora, são estes três).

O autor me fez tirar conclusões precipitadas, quebrando a mente depois. Adoro quando isso acontece. Por exemplo, eu pensei que ele ia colocar sobrenatural na obra – e estava ficando muito brava... porém, entretanto, todavia, eu estava errada em minhas precipitações e o autor conseguiu explicar o que acontecia de acordo com a sua proposta.

A história ainda conta com uma pitada de romance... Nada muito explorado ou que tire o foco da revolução que estava acontecendo, o que achei muito bacana. Ao longo da trama, Musin vai descobrindo sentimentos que, até então, pensava ser inexistentes – já que a parte de sentimento é retirada na hora do próprio desenvolvimento no laboratório.

Para vocês terem uma ideia, o livro inicia no ano de 2045, vem para 2011 e segue para 2102! É muita loucura e, acredite, tudo cabe dentro da proposta.

Não gostei da pontuação demasiada, que tentava explicar determinadas sensações:
“— Angel....................................................?
— Musin....................................................!
— ....................Musin..............!!!
— Angel........?.................!” p. 106
Acho que isso pode ser lapidado para dar até mais emoção, utilizando menos pontos.

Diria que Orbis é um livro com uma proposta ótima. Como é lançado de forma independente, não tem revisão profissional, deixando passar algumas coisinhas (que não estragam a obra em nenhum momento, no entanto). Se for mais lapidado, ficará um put* livro!

Eu sempre tive a certeza que não se pode suprimir nossa verdadeira essência. Mas até aquele momento eu acreditava que minha essência era aquela, o que a genética me determinava” p. 39


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