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terça-feira, 15 de abril de 2014

Bem vindos à nossa nova coluna sobre filmes: o Cinedicas. 
Nos últimos três anos, assisti a vários filmes. Alguns excelentes, outros nem tão bons. Algo normal. Sempre há decepções, mas também existe o fator surpresa. As boas surpresas cinematográficas ainda existem. Dentre estas, selecionei cinco delas responsáveis por me fazerem refletir sobre muitas coisas da vida. Filmes que indubitavelmente deixaram boas e indeléveis impressões em mim. Filmes que merecem ser compartilhados com vocês.
Cada um dos cinco filmes me transmitiram ótimas mensagens, carregadas de positividade em relação à vida, amizade, relacionamentos e aos sonhos. Ligados Pelo Amor e Questão de tempo, falam sobre família, amor e relacionamentos. O primeiro, é cheio de referências literárias (principalmente ao Stephen King) e ainda retrata a vida de escritores, narra a história de uma conturbada família, repleta de desavenças e brigas. O segundo, possui um elenco ótimo, um roteiro melhor ainda e uma trilha sonora apaixonante. Para quem acredita se tratar de apenas um filme romântico, assista, a sua surpresa será como a minha. A Vida Secreta de Walter Mitty fala sobre sonhar, como é importante sair de nossa zona de conforto e buscar nossos sonhos, mesmo que pareçam intangíveis, um tom mais cômico e muito leve, com uma trilha ótima trilha sonora. As Vantagens de Ser Invisível, acredito que dispensa comentários, uma história melancólica, sobre amizade e superação. Assim como O Lado Bom da Vida - um dos filmes que mais gosto e o preferido da lista -, aborda a superação dos momentos de crises e também como é importante manter a positividade, ver o lado bom das coisas. Filme com ótimas atuações e uma trilha sonora incrível que varia de Alabama Shakes a Johnny Cash.    

Ressaltando que são alguns lançamentos mais recentes. É, portanto, uma lista bem pessoal. Se você já assistiu algum deles (ou todos), se também possui filmes que os marcaram, independente de quando foram lançados, deixem nos comentários. Vamos trocar fichas!  

Ligados Pelo Amor (Stuck In Love, 2012)



Três anos depois de seu divórcio, o romancista experiente Bill Borgens (Greg Kinnear) não consegue esquecer o passado e espiona sua ex-mulher, Erica (Jennifer Connelly), que trocou o marido por outro homem. Mesmo que sua vizinha e amiga colorida, Tricia (Kristen Bell) tente trazê-lo de volta à ativa, ele permanece cego aos encantos de qualquer um. Enquanto isso, sua filha independente Samantha (Lily Collins) está publicando seu primeiro romance e evitando seu primeiro amor com um romântico incurável (Logan Lerman); e seu filho adolescente, Rusty (Nat Wolff) está tentando encontrar sua voz, tanto como escritor de fantasia quanto como inesperado namorado de uma garota ideal que tem problemas perturbadores e reais. Cada uma dessas situações cresce e elas se transformam em um trio de crises românticas, o que leva os Borgens a surpreendentes revelações sobre como finais viram começos.

A Vida Secreta de Walter Mitty (The Secret Life of Walter Mitty, 2013) 



Walter Mitty (Ben Stiller) é o responsável pelo departamento de arquivo e revelação de fotografias da tradicional revista Life. Ele é um homem tímido, levando uma vida simples, perdido em seus sonhos. Ao receber um pacote com negativos do importante fotógrafo Sean O’Connell (Sean Penn), ele percebe que está faltando uma foto. O problema é que trata-se justamente da foto escolhida para ser a capa da última edição da revista. É quando, Walter, com o apoio de Cheryl (Kristen Wiig) é obrigado a embarcar em uma verdadeira aventura.

Questão de Tempo (About Time, 2013)


Ao completar 21 anos, Tim (Domhnall Gleeson) é surpreendido com a notícia dada por seu pai (Bill Nighy) de que pertence a uma linhagem de viajantes no tempo. Ou seja, todos os homens da família conseguem viajar para o passado, bastando apenas ir para um local escuro e pensar na época e no local para onde deseja ir. Cético a princípio, Tim logo se empolga com o dom ao ver que seu pai não está mentindo. Sua primeira decisão é usar esta capacidade para conseguir uma namorada, mas logo ele percebe que viajar no tempo e alterar o que já aconteceu pode provocar consequências inesperadas.

As Vantagens de Ser Invisível (The Perks of Being a Wallflower, 2012) 



Na trama de As Vantagens de Ser Invisível, um garoto de 15 anos, Charlie (Logan Lerman), entra num colégio enquanto se recupera de uma depressão, que lhe rendeu tendências suicidas, e da perda de seu único amigo. No colégio, porém, começa sua jornada de socialização, de crescimento e recuperação com a inadvertida ajuda de dois veteranos, Patrick (Ezra Miller) e Sam (Emma Watson), que o recebem em seu mundinho à parte dos populares da escola.

O Lado Bom da Vida (Silver Linings Playbook, 2012)


Pat Solitano Jr. (Bradley Cooper) perdeu absolutamente tudo na vida: sua casa, o emprego e a esposa. Deprimido, ele vai parar em um sanatório, onde fica internado por oito meses. Ao sair, Pat passa a morar com os pais e está decidido a reconstruir sua vida, o que inclui retomar o casamento, passando por cima de todos os problemas que teve. Entretanto, seu novo plano começa a mudar quando ele conhece Tiffany (Jennifer Lawrence), uma garota misteriosa que também tem seus problemas.

terça-feira, 19 de novembro de 2013


Olá, leitores e leitoras! Essa resenha foi publicada originalmente no Legado das Palavras.

Em 2012 assisti ao filme As Vantagens de Ser Invisível que figurou, certamente, em um dos melhores filmes lançados no ano. Conferir o filme me impulsionou a partir em busca do livro, afinal, além das ótimas atuações e da trilha sonora, o filme possui uma história linda. Publicado pela editora Rocco, o livro do escritor – também diretor e roteirista da adaptação cinematográfica – Stephen Chbosky possui 223 páginas.
As Vantagens de Ser Invisível é um romance epistolar, ou seja: é totalmente narrado através de cartas, embora existam outras formas de desenvolver, como notícias de jornais ou diários, mas este não é o caso. O livro apresenta as cartas escritas pelo jovem apelidado de Charlie a um destinatário incógnito, o leitor, onde narra os acontecimentos de sua vida atual: o verdadeiro deságio que é o início do ensino secundário, a superação do suicídio de seu melhor amigo, meses atrás, e um grave trauma de infância. Entre os temas abordados podemos destacar a sexualidade, o uso de drogas, introversão, além de estampar a importância de amizades em nossas vidas.
Chbosky narra a vida de Charlie com extrema sensibilidade, logo nas primeiras páginas fica difícil não se identificar com o protagonista, muitos já enfrentaram alguns de seus medos e também tiveram as mesmas dúvidas. O autor buscou inspiração em sua própria vida para criar alguns personagens e dar mais veracidade à trama. O livro trata com naturalidade alguns temas polêmicos como a descoberta e o uso de drogas por conta de Charlie, outro tema importante é a abordagem de uma relação homoafetiva, muito bem retratada, que ajuda a expandir horizontes e quebrar paradigmas.
A escrita de Stephen Chbosky não apresenta genialidade, ou apresenta, depende de como você analisar. Ela não é difícil, clássica e muito descritiva, entretanto, vale lembrar que estamos lendo “cartas” de um jovem do ensino médio, cujo à paixão pela literatura e o dom para escrita é bem demonstrado, logo, temos uma narrativa a altura do personagem, o que faz nos identificarmos ainda mais com Charlie.
A obra possui muitas inspirações, um delas é o escritor Stephen King. Segundo Chbosky seu livro possui muito de algumas obras do mestre do terror, livros Carrie e O Iluminado, além do conto, Conta Comigo. Fã confesso do escritor vale citar o que Chbosky disse em uma entrevista, ele acredita que King seja “o maior contador de histórias de todos os tempos”. O livro também apresenta uma vasta lista de referências musicais – aliás, o ditado “sexo, drogas e rock’n roll” se encaixa perfeitamente aqui e chega até mesmo soar de forma poética -, algumas das bandas citadas são: Nirvana, Beatles, Pink Floyd e, claro, The Smiths com a música Asleep (favorita de Charlie). Outras ótimas referências são as literárias, Bill, professor de Charlie, o estimula através da leitura e indica grandes obras da literatura como: Uma Ilha de Paz (John Knowles), Walden (H.D. Thoreau), O Sol é para Todos (Harper Lee), O Grande Gatsby (F. Scott Fitzgerald), Peter Pan (J. M. Barrie) A Nascente (Ayn Rand), Hamlet (William Shakespeare), Almoço Nu (William S. Burroughs), Este Lado do Paraíso (F. Scott Fitzgerald), On The Road/Pé na Estrada (Jack Kerouac), O Estrangeiro (Albert Camus) e O Apanhador do Campo de Centeio (J.D. Salinger).
Não quero entrar muito na história por achar que ela é sensível demais e qualquer mínimo spoiler pode vir a comprometer a leitura, contudo, esta é uma obra recomendada, onde é praticamente impossível não se identificar com alguns dos personagens ou com o que estão vivendo. A sutileza da história nos faz refletir acerca de alguns aspectos, como a amizade, por exemplo. A leitura é indispensável, mesmo a adaptação cinematográfica sendo extremamente fiel e tão boa quanto o livro.
Nós somos infinitos.

PS: Escrevi sobre o filme aqui.

Sobre o autor


Hugo Sales Hugo Sales
Aprendiz de escritor, músico iniciante e cinéfilo. Herdeiro do Resenhas de Uma Leitora. Contista e RPGista. Mente Inquieta. Escreve sobre literatura, pois, não consegue viver sem e adora compartilhar seus pensamentos e gostos.

quinta-feira, 29 de agosto de 2013


Munido de uma história ora profunda e sensível, ora cômica e leve, As Vantagens de Ser Invisível conta também com excelentes personagens e diálogos memoráveis.  O drama de um amor sensível e a importância de amizades verdadeiras são temas bem explorados no filme do diretor, roteirista e autor do livro homônimo Stephen Chbosky. Apesar de não apresentar uma revolução na qualidade visual, o diretor de fotografia, Andrew Dunn, apresenta uma fotografia agradável, entretanto, o foco principal é centrado belos diálogos e nas atuações dos personagens principais. O roteiro segue bem de perto o livro, com algumas pequenas alterações que apenas contribuem para a qualidade do filme. Um dos grandes filmes de 2012 que provavelmente passou despercebido e também surpreendeu muitas pessoas.

Na trama, Charlie (Logan Lerman) é um jovem com dificuldades para se socializar. Ele vive um momento muito delicado em sua vida: o jovem busca se recuperar de uma grande depressão em sua vida, causada por um trauma de infância e pelo suicídio recente de seu melhor amigo. Charlie acaba de entrar no colegial e inicia uma caminhada com intuito de vencer suas dificuldades, neste momento ele faz duas novas - e fundamentais - amizades para a sua vitória, Patrick (Ezra Miller) e sua meia-irmã Sam (Emma Watson), ambos veteranos no colégio que vivem de um modo nada comum em relação aos demais alunos. Charlie então é induzido em um mundo de novas descobertas, principalmente, a descoberta de amizades verdadeiras.
Primeiramente, é difícil não destacar o trio no qual o filme se foca: Emma Watson está estonteante, obviamente, torna-se praticamente impossível não relembrar a eterna Hermione, contudo, a atriz, apaga rapidamente a memória da personagem vivida em Harry Potter e torna incontestável o seu poder de atuação. Ezra Miller (do ótimo Precisamos Falar Sobre Kevin) atua muito bem, seu personagem possui o dom de fazer todos a sua volta rirem ou chorarem, e temos alguns belos momentos onde essa alternância aparece e o ator sempre tem êxito com sua atuação. Por último mas não menos importante, Logan Lerman (Percy Jackson) está solto no papel, a interpretação flui magistralmente, não chega nem mesmo ser uma sombra de sua atuação em O Ladrão de Raios. Se o roteiro consegue aproximar o espectador do filme, nos comove com a história de Charlie, Lerman, se mostra um ator muito dedicado e disposto a encarar o que o papel lhe pede. O elenco ainda conta com muitos nomes conhecidos como Mae Whitman (Scott Pilgrim Contra o Mundo) e Paul Rudd (Bem Vindo aos 40) entre outros.
Um aspecto marcante do filme são as músicas que marcaram os anos 80 e 90, grandes canções de bandas como PavementNew OrderThe Smiths, David Bowie, Sonic Youth, que são inspiradoramente colocadas em momentos chaves, à música é um personagem à parte que completa os principais personagens e oferece ao filme um ritmo prazeroso de acompanhar. A trilha original composta por Michael Brook  também é encantadora, assim como seu trabalho em Na Natureza Selvagem.
Stephen Chbosky traz uma obra consistente com personagens cativantes e marcantes, ao final do filme podemos respirar aliviados por contemplar um excelente filme, sem muito dos estereótipos tão presentes no gênero. Uma bela história sobre amizade e a descoberta do amor. Nota-se o envolvimento pessoal de Chbosky, para ele não trata de apenas mais um filme e sim algo muito maior e pessoal, o que é possível ver no resultado final. As Vantagens de Ser Invisível é tocante e sensível, faz com que nos identifiquemos com muitos elementos narrados, mas que deixa uma mensagem profunda e singular: “Nós Somos Infinitos”.

Dados:

The Perks of Being a Wallflower
EUA , 2012 - 103 min.
Drama
Direção:
Stephen Chbosky
Roteiro:
Stephen Chbosky

Elenco:
Logan Lerman, Emma Watson, Ezra Miller, Nina Dobrev, Paul Rudd, Mae Whitman, Melanie Lynskey, Melanie Lynskey, Johnny Simmons, Zane Holtz, Reece Thompson, Erin Wilhelmi, Joan Cusack. 




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