Simplesmente Ana é um daqueles
livros que você se recusa a para de ler. Resolvi lê-lo no início de uma noite e
parei às 3 da manhã, por que passou meu sono completamente.
A história conta a vida da
mineira Ana que, através do Facebook, descobriu ser uma princesa, filha do rei
da Krósvia. Ana tem 20 anos, e a autora Marina Carvalho explora muito bem esta
idade, não transformando Ana em madura demais ou adolescente demais. Ela tem
que tomar muitas decisões, que até então não teria tomado em sua vida
confortável. Ela é engraçada e leva tudo
na esportiva. A trama tem muitos elementos atuais, como chats na internet,
emails...
O livro é contado em primeira
pessoa, a partir do ponto de vista da Ana, o que é bacana já que ela é muito
carismática e tem o espírito da juventude.
É claro que com a temática jovem,
terá romance. O caso é típico: ela
tem um rolo, Artur, que é lindo, maravilhoso, popular, enquanto ela se acha
normal e sem graça (a Síndrome de Bella Swan). Quem sabe ela leu Crepúsculo,
não é?! E ao chegar na Krósvia, ela encontra um filho adotivo de seu pai,
chamado Alex, que é todo trabalhado na malícia, na beleza e no charme. Sem
falar que, a princípio, ele é todo bad boy. Detalhe: Alex tem uma namorada que
é um saco.
Ela vai para a Krósvia para ver
como é que as coisas funcionam por lá, e tem que decidir, ao longo da história,
o que fazer dali em diante: fica no Brasil ou na Krósvia? Esta viagem ocorre
logo no início do livro, portanto a trama ocorre, em grande parte, na Krósvia.
Uma coisa que eu não posso deixar
passar: Ana é das minhas: AMA livros e torra todo o dinheiro do mês neles. Sei
bem como é isso...
O livro é todo fofo: ri bastante
em algumas passagens, suspirei em outras e, ainda, senti dor no peito, por
exemplo, quando ela falou o que era a saudade (já que esta palavra só existe no
vocabulário brasileiro). Amei, mesmo!
Como nenhum livro é perfeito, foram
dois pontos que me chamaram atenção, mas não
de uma forma boa:
1º - eu não comprei o fato de que todos falam inglês fluente, até
mesmo a avó de Ana. Ok, você pode até ter viajado e tal, mas se não tem uma
prática diária, você perde a fluência, e isso é óbvio. Ali, apesar de 20 anos
sem ir para fora, a mãe ainda fala fluente e a avó nem se fala.
2º - a autora tentou colocar conversas de chat via web com
vocabulário internetês (naum, entaum, vc, q). Ok, eu sei que muitas pessoas
usam estes termos, mas não acredito que foi a melhor escolha neste caso, visto
que se trata de um livro. Pesquisas simples feitas por blogs apontam que por mais
que os jovens falem deste modo em chats, quando estes termos aparecem em um
livro, não há identificação com a forma escrita.
Apesar de tudo isso, é um livro super leve e lindo.
Para não perder o costume, a
Editora Novo Conceito caprichou nos detalhes do livro. A arte da capa é
maravilhosa, elegante.
Nem preciso dizer que estou louca
pelos próximos livros de Marina Carvalho, por que se continuar neste nível, tem tudo para ser uma das melhores
escritoras da atualidade.
Apesar de eu ter colocado aqueles
dois pontos negativos, o livro ainda leva a pontuação máxima aqui no blog. Sim,
ele é demais.
Todos lendo o livro já!
Citação:
"[...] O que um homem bonito faz
com o cérebro das mulheres? Congela?"
"Não sei por que, mas é incrível
como o brasileiro tem fama ruim. Vira e mexe alguém dá a entender que somos
todos depravados, liberais e sem censura. Em parte eu sei por quê. Basta
assistir a um desfile de escola de samba no carnaval e ao festival de nudez
promovido principalmente por artistas – ou aspirantes a artistas – desesperados
por atenção. Mas, puxa! Nós nem fazemos topless
com tanta frequência quanto as europeias, que são mais liberais do que nós em
muitos aspectos. Dá tanta raiva!"