Mais uma vez é meu amigo Maurício
que me emprestou um livro bacana – ele já me emprestou “A Batalha do Apocalipse” e “Branca dosMortos e os 7 Zumbis”, este último é do mesmo autor da obra de hoje, por sinal.
Inclusive o Maurício conseguiu alguns autógrafos do pessoal da Jovem Nerd em
seu exemplar – mais uma razão para eu tomar cuidado extra com seu precioso! Mais uma vez muito obrigada, Maurício!
O livro é em versão quadrinhos,
com ilustrações de Harald Stricker, o que dá vontade extra de não parar a
leitura (levando em conta que eu sou doida por HQ). A história que Abu Fobyia
traz é sobre a independência do Brasil, porém de um modo diferente, já que
apresenta uma versão zumbi sobre o episódio.
A narrativa construída pelos
autores mostra desde as razões da fuga de D. João VI de Portugal em 1808 até a
independência do país, em 1822. Os enlaces políticos são bem elaborados, demonstrado
de forma leve e bem compreensível. É claro que, como o livro aborda a temática
zumbi, algumas questões reais foram deixadas de lado para evidenciar o
entretenimento. Os autores pesquisaram os principais envolvidos neste período e
os representaram muito bem, deixando sugestões sobre estes que os livros de
história não apresentam, de forma geral.
Durante a viagem de fuga da família
real portuguesa ao Brasil, vemos a rainha Maria, a Louca definhando sem causa
aparente e tornando-se zumbi e mordendo todos que via na frente. E é aí que a real aventura começa.
Como historiadora, devo dizer que,
apesar do enredo bem contado, a obra conta com muitos estereótipos – por exemplo,
a própria independência às margens do rio Ipiranga. Ao mesmo tempo em que
desmistifica algumas coisas, cria mitos em outras. O final dos personagens não
condiz com a realidade, assim como alguns fatos apresentados, mesmo ignorando a
parte zumbi. Porém, é importante ressaltar que a intenção da dupla não é
recontar a história, mas entreter. Conforme uma nota ao final onde apontam que os
personagens foram retratados com deboche e ironia, não querendo, em nenhum
momento, manter a real história.
Claro que alguns pontos foram de
acordo com a realidade e são válidos, como a vinda da família real, as
conspirações e os jogos políticos.
De maneira geral, o texto é leve,
há várias piadas infames que, com sotaque português, dão agilidade e graça à
obra. As ilustrações são ótimas, detalhistas. É possível identificar detalhes mesmo
em uma figura pequena. Aliás, todos os desenhos são em preto e branco, o que dá
maior sentimento para quem gosta de HQ.
Ps: Portugal está errado. É P’tugal,
já que o leitor tem que imaginar as falas com aquele sotaque. Ora, pois!
Avaliação: 4/5








