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domingo, 9 de março de 2014

Bem vindos ao universo da literatura.
Um livro sensível com uma história e um protagonista cativante, é assim que posso definir o livro da autora R. J. Palacio, O Extraordinário, que possuí 320 páginas e foi publicado pela editora Intrínseca.
August “Auggie” Pullman, é o herói que está prestes a enfrentar uma árdua jornada. Algo diferente de tudo o que já viveu: ele irá enfrentar os desafios da escola pela primeira vez.
Auggie sempre estudou em casa tendo a mãe como professora. O desafio consiste em sua adaptação no meio escolar, o que torna as coisas mais difíceis é o fato de August ter nascido com uma rara doença que deixou sua face totalmente desfigurada. Mesmo após muitas cirurgias e tratamentos, as pessoas ainda o olham com repúdio, seja na rua ou em qualquer outro lugar.
Quase todos em sua nova escola não lhe dão atenção, socializam ou sequer se aproximam muito dele. Auggie enfrenta as dificuldades impostas com muita dignidade. Ainda que em muitos momentos desistir pareça ser a opção mais viável, ele sempre pode recorrer à sua família que o ama indubitável e infindavelmente, sem se importarem com sua aparência – e, na real, até mesmo nós aprendemos a amá-lo.


Narrado em primeira pessoa ficamos expostos às suas divagações, seus medos e angústias. Adentramos em uma vida com outra face. A face de Auggie. A história nos transporta a um universo que nós nem imaginamos como é, o universo das pessoas que sofrem de alguma doença ou vítimas de acidentes cruéis, por exemplo. Através de Auggie podemos ter uma noção de como há uma luta diária sob quaisquer que sejam os problemas.
A relação com a família é bem explorada e digna de nota. Quando eu me tornar pai, certamente, terei algumas coisas desse livro como guia. Dentre outras mensagens, o livro explora a importância da amizade e narra uma verdadeira batalha contra o bullying.
Apesar de ser narrado em primeira pessoa, há capítulos de personagens secundários, mostrando seu ponto de vista em relação ao que acontece. Impossível não se identificar com alguns deles.
Eu, particularmente, adorei as referências a David Bowie e aos livros O Pequeno Príncipe e O Homem Elefante, dentre as demais, essas se destacam. E quem é que não gosta de referências, não é?



Extraordinário é um livro amável, sensível e, acima de tudo, uma leitura cativante, simples, ágil e poderosa. Demorei alguns meses para ler, mas desde a primeira vez que li sua sinopse e busquei informações sobre a história, tive certeza que leria um ótimo livro. E foi exatamente o que aconteceu. Um história sobre compaixão, aceitação, gentileza, amor e esperança que deve ser lida, principalmente por nossas crianças. Livros como esse deveriam estar nas nossas escolas.
O nome do livro já o classifica por si só. 

Sobre o autor

Hugo Sales Hugo Sales
Escritor e músico aprendiz. Cinéfilo dedicado. Herdeiro do Resenhas de Uma Leitora. Contista e RPGista. Mente Inquieta. Escreve sobre literatura, pois, não consegue viver sem e adora compartilhar seus pensamentos e gostos.

terça-feira, 15 de outubro de 2013



Resenha publicada originalmente no Legado das Palavras.

Olá, queridos leitores e leitoras!
Se emocionar ao ler um livro é extremamente normal, desejar um final diferente, onde todos sorriam e a “vida” transcorra perfeitamente bem, também. Mas, e quando isso não acontece? E quando o fim é melancólico e triste, além de totalmente fora do esperado? Nesse caso, podemos apenas aceitar que alguns escritores sabem conduzir uma história de tal forma que te faça sorrir, mesmo com o final não esperado e desprovido daquela felicidade criada e almejada, durante a leitura, para o final do livro. Se o final decepciona, a culpa é do autor. Caso satisfaça, a culpa também será dele. Porém, o que acontece quando sorrimos e ficamos com os olhos marejados ao terminar o último capítulo? De quem é a culpa? Bem, acredito que A Culpa é das Estrelas.
Sem mais delongas, vamos às considerações sobre o livro A Culpa é das Estrelas, do autor John Green, publicado no Brasil pela editora Intrínseca.

Sorrir e chorar. Algo que realmente acontece durante a leitura, Green é habilidoso na escolha das palavras, constrói diálogos interessantes e, por narrar em primeira pessoa, aproxima de modo excelente a personagem, Hazel Grace, do leitor. Aliás, Hazel é o grande destaque do livro, mais que a doença, mais que o romance, mais que a filosofia investida. Uma personagem apaixonante, desde as primeiras páginas até a última. O.K. Às vezes ela se torna irritante, mas, por outro lado, isso humaniza ainda mais Hazel. Mas ela não é a única, Augustus Waters, o Gus, é outro personagem que fará os leitores repensarem muitos aspectos de suas vidas, cheio de metáforas e tão filosófico quanto necessita ser, John Green oferece diversão, alegria, melancolia e muita filosofia na história, através da jornada deste dois personagens. Claro, não podemos nos esquecer do câncer.
A doença ao mesmo tempo é o elo entre todos os acontecimentos do livro, salta aos olhos dos leitores a todo instante, entretanto, fica cada vez mais secundário conforme a trama se desenvolve, magistralmente, o autor consegue lhe fazer se esquecer da doença, mesmo ela estando ali, dentro dos personagens. E, no fim, lhe Green aplica um golpe fulminante, uma reviravolta surpreendente.
Na trama, Hazel Grace é uma paciente terminal que, mesmo lutando contra a doença, auxiliada pela medicina, sabe o desfecho final de sua vida. O que ela nem poderia desconfiar é que alguém entraria em sua vida para, literalmente, fazer a balança pender e mudar sua história. Augustus Waters, o garoto que toda garota quer. Eles se conhecem graças aos encontros do Grupo de Apoio a Crianças com Câncer. Ambos irão completar as ausências de suas vidas em um romance inspirador, corajoso, irreverente e brutal.
John Green arrisca o final de seu livro com uma reviravolta surpreendente, o que faz a diferença, sem dúvidas. Ele consegue conduzir e alternar o tom da história de maneira natural, sem forçar a barra. Em A Culpa é das Estrelas, navegamos no cotidiano de pessoas com câncer, vemos como isso afeta todos à sua volta. A palavra que melhor pode descrever a sensação após o término do livro - tendo em mente que existem pessoas reais como Hazel e Gus - é: Inspiração. O romance é inspirador, te faz ter vontade de viver e lutar mais por seus objetivos. Este é um livro que mostra o porque da Literatura Jovem estar se expandindo para públicos distintos com tamanha eficiência.
Assim como o final de Uma Aflição Imperial, romance por qual a personagem Hazel é apaixonada, o fim de A Culpa é das Estrelas é inesperado, contudo, você já sabe qual o desfecho, foi dito desde o início, o que realmente importa é a jornada. O fim te faz sorrir enquanto lacrimeja. Faz você pensar e repensar. A história insiste em retumbar na nossa mente. Faz você querer mais. Mas satisfaz.
E lembre-se: alguns infinitos são maiores que outros. Okay? Okay.

Sobre o autor

Hugo Sales Hugo Sales

Aprediz de escritor, músico iniciante e cinéfilo. Herdeiro do Resenhas de Uma Leitora. Contista e RPGista. Mente Inquieta. Escreve sobre literatura, pois, não consegue viver sem e adora compartilhar seus pensamentos e gostos.

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