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quarta-feira, 17 de julho de 2013

Gente, resolvi trazer algo novo para vocês (novo aqui no blog, claro). Agora vou tentar trazer entrevistas com autores – todos vibrando.

E para iniciar e dar boa sorte para este novo período no blog, temos uma entrevista com o autor da obra A Mais Amada, R.W. Gomes. Para ler a resenha clique aqui.



Bem, eis que o querido autor nos falou sobre suas referências e deu dicas de escrita. Vamos conferir?

1.    Renan, como iniciou o interesse pela literatura?
Eu comecei a escrever por uma necessidade de contar as histórias que iam me vindo na cabeça, tinha treze anos e sempre rabiscava alguma coisa para compartilhar com os colegas da escola. Depois de um tempo, comecei a ler mais, fazendo leituras mais sérias e quando dei por mim estava cursando Letras e escrevendo romances.

2.    Você "segue os passos" de algum autor em específico?
Não sigo os passos, mas procuro tentar entender a dinâmica que meus autores favoritos usam para escrever. Isso me ajuda a ter uma visão sobre a construção da narrativa, estrutura do texto e outros elementos que auxiliam quem está começando. Eu aprecio muito Eça de Queiroz, José Régio e José de Alencar, que são autores que li muito na universidade. Das influências mais modernas, eu citaria Dan Brown e Sidney Sheldon.

3.    O que te motiva a seguir escrevendo?
Escrever me ajuda a exteriorizar os sentimentos, viver coisas na pele de pessoas bem diferentes de mim. É uma experiência que não consigo viver mais sem. Cada história finalizada é como uma vida que pude provar, eu diria que amadureço um pouco também depois de cada livro.

4.    Qual o seu livro preferido (de outro autor)?
Difícil responder. Eu gostei muito de O Primo Basílio, do Eça de Queiroz, foi uma história que me agradou do começo ao fim e que nunca esqueci.

5.    De onde saem as ideias para iniciar um livro?
Eu me sinto como um receptáculo de histórias, sempre que me abro para “pescá-las” por aí elas chegam até mim. Algumas vezes na forma de uma notícia de jornal, um comentário simples que ouço de alguém, uma canção. É muito variado. Depois disso, as coisas começam a se linkar na minha cabeça, estabelecem uma conexão e aí eu já tenho um caminho para trilhar na escrita. E o resto as próprias personagens vão me falando para onde querem ir e quais suas motivações. Quando escrevi A Mais Amada, por exemplo, não sabia exatamente por que o personagem que era militar deveria ter barba, mesmo isso sendo proibido no exército. Continuei em frente e só depois descobri o que havia por detrás desse detalhe.

6.    Qual a expectativa no mercado nacional? As coisas estão melhorando?
As expectativas são boas. Acredito que com o auxílio da internet os escritores têm muitas possibilidades de divulgar seu trabalho, e isso é fundamental para o sucesso de um livro.

7.    Você acha que os blogueiros ajudam, efetivamente, na divulgação da obra?
Sim, ajudam muito. Além de serem um canal de muito prestígio para os internautas que curtem literatura, os blogs abrem um espaço gratuito, de fácil acesso e que permite o intercâmbio de ideias entre autores e leitores.

8.    O que os leitores podem esperar da sua próxima produção? Já está em desenvolvimento?
Podem esperar uma história agradável de se ler, com bastante ritmo e cheia de surpresas. Não comecei a escrever ainda, mas as ideias já estão chegando e ganhando corpo. É apenas uma questão de tempo.


Só tenho a agradecer o Renan, por nos ceder um momento de seu tempo. E estamos aguardando outras obras!

domingo, 2 de junho de 2013

Meu desejo é gritar!
Com essa frase poderíamos abranger muitos personagens que, ao longo da trama, tem uma vontade imensa de gritar e se livrar de demônios internos. Mas o que representaria esta vontade de gritar?
O grito seria, a meu ver, uma forma de libertação. O personagem ao gritar estaria se libertando do que lhe aflige e satisfazendo-se, por fim.
 
Livro recebido do autor

Primeiro vamos à história: Lara e Iran se casam e o que era para ser um dia feliz, se transforma em um pesadelo, já que após a festa eles sofrem um acidente de carro. Neste caso, estão presentes Rosa e Donny, ela que é irmã adotiva de Lara e ele que é como se fosse irmão. Porém, após o acidente as coisas começam a desandar, ou melhor, a serem reveladas. São mentiras, traições, falsidade, imoralidade, manipulações, famílias superprotetoras. Mas, porém, entretanto, todavia... esse casamento já começou errado. E paro por aqui para não falar demais.
Em tempo, Lara e Rosa foram criadas em casa de militar, com educação rígida. Rosa, vindo de uma família desestruturada, foi adotada com um objetivo específico pelos pais de Lara, o que me deixou nauseada. Lara tem seu pai como um herói, mas até que ponto deve-se acreditar nestes heróis idealizados ao longo da infância?

O livro aponta uma verdade real: o ser humano mente na tentativa de proteger quem lhe é querido. Mesmo quem diz que nunca mente estará mentindo, certamente.
As mentiras que as pessoas contam para a própria família são intrigantes. Alguns fatos são de importante colocação, como as relações onde um se doa mais do que o outro; ou as relações onde se espera somente a perfeição, inclusive física; e, ainda, relações de amizade à base de dinheiro – onde este compra a cumplicidade e responsabilidade.
O leitor, a princípio, pode pensar que o livro é irreal, que aborda somente mentiras. Mas deixe-me colocar que a obra aborda a vida inteira daqueles personagens, focando nesta parte mais sombria. Claro que às vezes cansa um pouco, por que (já vou avisando) não tem o mocinho ou a mocinha por quem se apaixonar, mas tem vários vilões para odiar.

De início, não entendi a razão para tanta raiva, mas ao longo da leitura os motivos são apresentados e bem explicados.  O autor começa com o presente e volta ao passado repetidas vezes, para que entendamos o ponto aonde chegar. Isso fica ainda mais claro ao final, que aponta que ser adulto é ser reflexo da infância.
As novidades são constantes e os enlaces são bem alinhados. O individualismo é colocado a todo instante, o que nos leva a pensar: fazemos tudo pensando no resultado para nós mesmos? Quando fazemos algo que não seja em nosso favor, de alguma forma? Além disso, o autor explorou muito bem o fato de o indivíduo surtar quando a situação sai da sua zona de conforto. Em tempo, a obra fala, ainda, sobre aqueles que se escondem atrás de dinheiro e/ou religião.

Adorei o fato de o livro ser ambientado no Brasil, mais especificamente em Santa Catarina. O autor soube explorar o modo de falar, os costumes. Inclusive os diálogos/palavreado são facilmente encaixados em qualquer pessoa do sul (falo por mim também), logo, não são formais. A cultura germânica está ali também, de forma leve, mas colocada. Não perguntei ao autor, mas suspeito que ele seja do sul. Pois só alguém daqui saberia detalhar tão bem a paisagem com as araucárias ou falar de ramonas com a maior naturalidade (se não sabem o que são ramonas, vejam no link: http://peosiaehumanidade.files.wordpress.com/2009/11/grampos_ramona2.jpg).

Posso dizer, com seriedade, que a leitura nos leva a pensar além do que está escrito. Minha pergunta que ficou no ar durante toda a leitura foi “Quem tem o controle da situação tem razão?”. Por mais que a resposta pareça fácil, não é.
E só mais uma coisa: Não adianta fugir do passado. Ele volta.

A obra conta poucos erros ortográficos, nada que estrague a leitura, contém, ainda, vários palavrões, então não indico para adolescentes. As folhas são brancas (normal em casos de livros independentes). A capa solta um plástico de proteção nos cantos (como a maioria não solta, a gente nem lembra que tem), e isso me irrita um pouco.

Avaliação: Recomendo!



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