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domingo, 14 de julho de 2013

“Amor, meu grande amor, não chegue na hora marcada.Assim como as canções, como as paixões e as palavras. [...]Enquanto me tiver, que eu seja o último e o primeiro.E quando eu te encontrar, meu grande amor, por favor, me reconheça...”
SKOOB
Sim, o objetivo é que enquanto você lê esta resenha, você fique com essa música linda do Barão Vermelho na cabeça. Agora vamos aos apontamentos:
Este é o primeiro livro que leio da Carol e devo admitir que estou amando a autora – inclusive gostaria de frisar que a literatura nacional está vivendo um período muito fértil e bacana com tantos livros ótimos. Venha à nós!
Quando vi esta capa, pensei que era um livro adolescente. Mas como não se deve julgar um livro pela capa, errei mesmo – o livro é destinado ao público jovem-adulto. Falando em capa, a menina do desenho lembra a Carol e eu fiquei me perguntando, em quem será que a Carol se inspirou para fazer a Bia?

Bia é uma mulher de 25 anos, falida, carente, que tem um amor mal resolvido da adolescência (Guga) que acaba interferindo nos amores atuais. É em torno dela que a história desenvolve, sempre com seu ponto de vista narrado em primeira pessoa – inclusive ela fala como se estivesse em um eterno bate-papo com o leitor, o que ficou ótimo. Ela é muito divertida e até seus pensamentos fogem do comum na maioria das vezes. Bia é uma adulta que apresenta aquelas paranoias femininas como dietas loucas “tentando emagrecer os cinco quilos que ganhou com a depressão pós-desemprego”.

Claro que eu não vou contar a história, mas para resumir sem estragar vou falar que ela conhece um cara maravilhoso (que acaba se tornando seu “encontro”) em um episódio nada convencional: um tiroteio entre policiais e bandidos. E mesmo ali ela consegue ser engraçada, mesmo em seu mau humor. O nome do cara? Vamos chamá-lo de Cara (sim, eu também lembrei da música “Esse cara sou eu”). Vale lembrar que a Bia é um pouco devagar... Não se liga em algumas questões óbvias, e eu tive vontade de pegá-la pelos ombros e falar como a Ana Maria Braga: “Acorda, menina!”.

Então esse Cara é O cara. É músico, mora em Londres, é lindo e romântico. Mas também tem seus lados negativos, já que tende a manipular as coisas e pessoas para que fiquem sempre sob seu controle. Confesso que por horas eu o amei e por outras horas o detestei. E até a Bia descobrir quem é ele, dá muito pano para a manga.

A história fala, então, sobre este envolvimento entre os dois. Sobre erros e acertos do passado. Sobre deixar passar chances, por sermos cabeças duras, ou por julgar que sabemos o que é o melhor para o outro. E sobre verdadeiras amizades, que não importa quanto tempo passemos longe, melhores amigos sempre serão melhores amigos.

Como o livro é em primeira pessoa, os sentimentos da Bia estão ali expostos em carne viva. E isso é mágico, visto que nada é escondido – chega dar aquele frio na barriga em alguns momentos. Significa que a história e os personagens estão palpáveis

O livro todo se passa no Brasil, listando vários ambientes tupiniquins lindos de viver. Gostei do fato de a autora citar algumas coisas da infância da Bia, referenciando os anos 90. Mas tem uma coisa que eu não gostei, eu AMEI: as referências musicais usadas. Vejam, Bia curte música, assim como o Cara. E eles curtem coisas que eu curto, como Beatles, John Mayer e Barão Vermelho (este último então, me gusta mucho).

O nome do livro: ela se acha muito azarada. Então seria azar do cara que quisesse ficar com ela:
“Mas ele girou a chave. Uma, duas, três... Dez vezes. O motor não pegou.
Largou-se no banco, por fim, desistindo. Olhou para mim.
- Deve ser a bateria.
- Não – contestei – Deve ser a minha maré de azar. Deve, não, é! E você está comigo, portanto, azar o seu!
Por um segundo o silêncio foi absoluto. Depois, sem saber direito como aconteceu, a primeira vez em meses, eu caí na gargalhada.”       p. 54

Uma das passagens mais profundas, para mim, foi esta onde o passado ferido de Bia é resumido de forma brilhante:
“- Bia... As pessoas boas também erram.
- Erram tanto que se tonam pessoas más.”     p.306

É um livro lindinho, leve, divertido. Ótimo para você relaxar e esquecer-se do mundo. Eu adoreeei demais! Em geral eu coloco pontos negativos dos livros (vocês sabem disso), mas juro que nesse eu não encontrei nenhum! Então todo mundo lendo já!
Avaliação: 5/5 *-*

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