Um navio retorna de uma intensa batalha pelas costas gregas. Uma mulher
observa o contorno do Peloponeso na penumbra do crepúsculo. É a jovem Helena,
oferecida pelo pai ao conquistador Menelau para garantir a paz e sobrevivência
de seu povo. Uma fatídica decisão que seria carregada de tristeza e tragédia,
porque Helena começa a buscar nos braços de outros, aquilo que lhe fora negado.
Numa narrativa lírica e original, esta obra traz a versão de Helena da
história lendária que é conhecida em todo o mundo, a disputa que originou a
guerra de Troia. De sua infância em Esparta aos anos turbulentos de sua união
com Menelau e a fuga com Páris e todas as suas consequências. A vida de uma
mulher que estava destinada ao poder, mas era movida à paixão e seu amor
provocou uma das guerras mais famosas de todos os tempos.
Esqueça o que você já leu sobre Helena! Só assim você vai realmente
se deliciar com esta obra. Por que eu digo isso? Porque a autora Francesca
Petrizzo deu uma nova cara à nossa querida Helena de Esparta, ops, de Troia.
Aqui ela não é filha de Zeus, exatamente,
e também não é flechada pelo cupido. É uma mulher comum da Esparta antiga – ok,
é uma princesa, mas é uma mulher completamente humana em seus sentimentos mais
profundos.
Helena, filha de Leda e Zeus (ela deixa claro que pensam que ela é filha de Zeus,
enquanto sua mãe tem vários amantes), é uma princesa muito bela – de beleza sem
igual. Vive uma vida de luxos, mas para ela isto não é interessante: preferia o
afeto que nunca recebeu. Por este motivo, abandona tudo a cada fagulha de amor
que encontra. O livro trata de seus amores, com uma visão humanizada para a
Guerra de Troia, sem interferência de deuses, semideuses ou homens com talentos
especiais.
Como um diário: íntimo, pessoal, fascinante. A autora trouxe vários
elementos míticos da Rainha de Esparta, mas fez com que estes
ficassem o mais humanizados possível – como já disse, sem interferência de
deuses.
A frase que resume o livro: Eu sou de pedra. Helena pensa que tem
que ser de pedra para aguentar as pressões e humilhações. Além disso, a nossa
protagonista vive de fantasmas, e isto é nítido: ela vive das lembranças da sua
vida. Demonstra apenas em poucos momentos a vivência no agora, realmente.
Homero escrevia suas
histórias em forma poetizada (quem leu a Odisséia
e Ilíada pode conferir), então a
autora traz esta referência lírica em toda a narrativa, nos levando a uma viagem ao tempo.
A autora construiu muito bem os
personagens, caracterizando-os de forma marcante. Em contrapartida, não
consegui absorver os detalhes dos cenários – em minha opinião, faltou um maior
delineamento dos ambientes.
Além disso (sim, eu tenho que
dar aquela puxada na história), a autora escreve como se estivesse no período.
Até aí ok! Mas Helena fala o tempo todo em Grécia - e naquela época a Grécia não
se chamava Grécia, então não está coerente com o contexto do momento.
Entendo que, talvez, ela utilizou a expressão para que todos pudessem se
localizar e identificar, mas a meu ver ficou
incoerente, mesmo.
No geral a obra é deliciosa de ler. Mas como eu disse: dispa-se do
que você aprendeu sobre a Guerra de Troia, caso contrário você vai achar muitas
disparidades, e talvez não goste da narrativa.
É aí que eu pergunto: Quem não conhece uma Helena? Que é de
pedra, que vive de lembranças... Todos conhecemos alguém assim, não?
Curiosidades:
* O texto que traz, originalmente,
a história da Guerra de Troia se chama Ilíada e foi escrito pelo poeta grego, Homero.
* O que conhecemos hoje como Grécia Antiga não era um país,
mas um aglomerado de Cidades-Estados, cidades com autonomia econômica e
política – cada uma tinha seu rei. Estas cidades ficavam na região chamada de
Hélade (na verdade até hoje a região é assim chamada), por isso se
autodenominam Helenos.
* Não há informações históricas sobre a figura de Helena. É possível que Heródoto tenha escrito sobre
a mulher Helena, fazendo dela uma figura representativa a todas as “helenas” da
Grécia Antiga.
* Ainda não está provado que a
Guerra de Tróia realmente ocorreu. Os escombros de uma cidade que,
possivelmente, seja Tróia foram encontrados abaixo de outras cidades (segundo a
localização dada por Heródoto), porém o fato da guerra ainda divide os
estudiosos.
Vale conferir uma entrevista exclusiva que a Luciana Tazinazzo, do blog Aceita um Leite?, fez com a autora!
Vou mostrar um pedacinho:
Como foi o processo de pesquisa para escrever Helena de Troia? O livro é um romance, mas podemos encontrar indícios históricos reais na narrativa?
Eu cresci lendo as mais diferentes versões da mitologia grega que eu pude encontrar. Quando comecei a escrever, eu as misturei e combinei como achei melhor, tentando torná-las plausíveis e críveis. Eu não fiz tanta pesquisa quanto escrevi baseando-me nas coisas que já estavam impregnadas em mim, o que eu gostava mais.
Eu cresci lendo as mais diferentes versões da mitologia grega que eu pude encontrar. Quando comecei a escrever, eu as misturei e combinei como achei melhor, tentando torná-las plausíveis e críveis. Eu não fiz tanta pesquisa quanto escrevi baseando-me nas coisas que já estavam impregnadas em mim, o que eu gostava mais.


