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terça-feira, 25 de setembro de 2012


Um navio retorna de uma intensa batalha pelas costas gregas. Uma mulher observa o contorno do Peloponeso na penumbra do crepúsculo. É a jovem Helena, oferecida pelo pai ao conquistador Menelau para garantir a paz e sobrevivência de seu povo. Uma fatídica decisão que seria carregada de tristeza e tragédia, porque Helena começa a buscar nos braços de outros, aquilo que lhe fora negado. 
Numa narrativa lírica e original, esta obra traz a versão de Helena da história lendária que é conhecida em todo o mundo, a disputa que originou a guerra de Troia. De sua infância em Esparta aos anos turbulentos de sua união com Menelau e a fuga com Páris e todas as suas consequências. A vida de uma mulher que estava destinada ao poder, mas era movida à paixão e seu amor provocou uma das guerras mais famosas de todos os tempos. 



Esqueça o que você já leu sobre Helena! Só assim você vai realmente se deliciar com esta obra. Por que eu digo isso? Porque a autora Francesca Petrizzo deu uma nova cara à nossa querida Helena de Esparta, ops, de Troia.
Aqui ela não é filha de Zeus, exatamente, e também não é flechada pelo cupido. É uma mulher comum da Esparta antiga – ok, é uma princesa, mas é uma mulher completamente humana em seus sentimentos mais profundos.

Helena, filha de Leda e Zeus (ela deixa claro que pensam que ela é filha de Zeus, enquanto sua mãe tem vários amantes), é uma princesa muito bela – de beleza sem igual. Vive uma vida de luxos, mas para ela isto não é interessante: preferia o afeto que nunca recebeu. Por este motivo, abandona tudo a cada fagulha de amor que encontra. O livro trata de seus amores, com uma visão humanizada para a Guerra de Troia, sem interferência de deuses, semideuses ou homens com talentos especiais.
Como um diário: íntimo, pessoal, fascinante. A autora trouxe vários elementos míticos da Rainha de Esparta, mas fez com que estes ficassem o mais humanizados possível – como já disse, sem interferência de deuses.

A frase que resume o livro: Eu sou de pedra. Helena pensa que tem que ser de pedra para aguentar as pressões e humilhações. Além disso, a nossa protagonista vive de fantasmas, e isto é nítido: ela vive das lembranças da sua vida. Demonstra apenas em poucos momentos a vivência no agora, realmente.
Homero escrevia suas histórias em forma poetizada (quem leu a Odisséia e Ilíada pode conferir), então a autora traz esta referência lírica em toda a narrativa, nos levando a uma viagem ao tempo.
A autora construiu muito bem os personagens, caracterizando-os de forma marcante. Em contrapartida, não consegui absorver os detalhes dos cenários – em minha opinião, faltou um maior delineamento dos ambientes.

Além disso (sim, eu tenho que dar aquela puxada na história), a autora escreve como se estivesse no período. Até aí ok! Mas Helena fala o tempo todo em Grécia - e naquela época a Grécia não se chamava Grécia, então não está coerente com o contexto do momento. Entendo que, talvez, ela utilizou a expressão para que todos pudessem se localizar e identificar, mas a meu ver ficou incoerente, mesmo.
No geral a obra é deliciosa de ler. Mas como eu disse: dispa-se do que você aprendeu sobre a Guerra de Troia, caso contrário você vai achar muitas disparidades, e talvez não goste da narrativa.

É aí que eu pergunto: Quem não conhece uma Helena? Que é de pedra, que vive de lembranças... Todos conhecemos alguém assim, não?

Curiosidades:
* O texto que traz, originalmente, a história da Guerra de Troia se chama Ilíada e foi escrito pelo poeta grego, Homero.
* O que conhecemos hoje como Grécia Antiga não era um país, mas um aglomerado de Cidades-Estados, cidades com autonomia econômica e política – cada uma tinha seu rei. Estas cidades ficavam na região chamada de Hélade (na verdade até hoje a região é assim chamada), por isso se autodenominam Helenos.
* Não há informações históricas sobre a figura de Helena. É possível que Heródoto tenha escrito sobre a mulher Helena, fazendo dela uma figura representativa a todas as “helenas” da Grécia Antiga.
* Ainda não está provado que a Guerra de Tróia realmente ocorreu. Os escombros de uma cidade que, possivelmente, seja Tróia foram encontrados abaixo de outras cidades (segundo a localização dada por Heródoto), porém o fato da guerra ainda divide os estudiosos.



Vale conferir uma entrevista exclusiva que a Luciana Tazinazzo, do blog Aceita um Leite?, fez com a autora!

Vou mostrar um pedacinho:
Como foi o processo de pesquisa para escrever Helena de Troia? O livro é um romance, mas podemos encontrar indícios históricos reais na narrativa?
Eu cresci lendo as mais diferentes versões da mitologia grega que eu pude encontrar. Quando comecei a escrever, eu as misturei e combinei como achei melhor, tentando torná-las plausíveis e críveis. Eu não fiz tanta pesquisa quanto escrevi baseando-me nas coisas que já estavam impregnadas em mim, o que eu gostava mais.


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