segunda-feira, 15 de outubro de 2012


Fala galera bonita!! Como estão?
Hoje se inicia uma série de posts um pouco diferentes do que vocês estão acostumados, então por favor, não me mandem cartas dizendo que eu estou afundando o blogue !?  espero que vocês leiam com apreço demasiado haha

O que acontece, na verdade, é que minha querida chefe permitiu que eu postasse alguns contos produzidos por minha linda pessoa, por tanto, o que se inicia agora é um holocausto de más intenções, forrado com pitadas de sangue e honra  conjunto de contos e/ou minicontos que serão postados diariamente quando eu tiver tempo.
Certo? Achei que sim, então vamos lá.

O primeiro conto é na verdade um Diário de Guerra que estava desenvolvendo para um blog pessoal, resumindo um pouco, é a história de um adolescente que se enfiou não por vontade própria num batalhão armado no meio de uma guerra pós-apocaliptica. Ao contrário de todos os outros, este jovem acredita que há mais pessoas vivas, e por isto ele deixa cartas mostrando por onde passou, dando dicas, e, além de tudo, esperança para estes possíveis sobreviventes.

Sem mais rodeios seres de mentes pensantes e corações pulsantes. Sejam muito bem vindos, estas são As Cartas de Willian Guerra, e espero que leiam, amem, e me mandem mais cartas com dinheiro dentro  gostem!

Carta aos Sobreviventes – 11.10.2012

Olá, meu nome é Willian T. Guerra e sinceramente não sei se o que estou fazendo vale de alguma coisa,está cada vez mais difícil escrever em meio a esse pandemônio e eu não sei se vou conseguir terminar a próxima palavra.

O fogo lá fora continua a cair dos céus, e a qualquer instante podemos ser todos mandados pelos ares, há feridos em meu batalhão, faz dois dias que não comemos nada e a reserva de água provavelmente acabará ao alvorecer.
Não faço ideia de quem está lendo esta carta agora, mas sinceramente, eu gostaria que soubesse que Eu te amo, não importa seus feitos e defeitos ou suas obras do passado, Eu te amo. Talvez você não entenda isso agora, talvez você nunca entenda, mas quando estamos perto da morte nós descobrimos que todo ser humano precisa de alguém que o ame de verdade, que segure sua mão e lhe dê um abraço amigo, que te tire da sarjeta e limpe a merda que você fez. Todos nós temos um fardo a carregar e, infelizmente, não são todos que conhecem o meu Deus, e é por isso que se agarram em coisas tão pequenas na vida, mas quando se está cara-a-cara com o demônio é que você percebe o verdadeiro amor dos outros.

Parece até absurdo o que estou fazendo,atrás de mim têm um cara caído, o Thomas, ele foi atingido por um tiro de Ruger Redhawk .44 bem na perna ontem a noite, e ele ainda grita bastante de dor, deve ter rompido muitos ligamentos e os médicos não têm muita esperança de que ele volte a andar. Ao meu lado os soldados engatilham as armas, conferem munições e equipamentos, relembram ordens e pensam na família, e eu aqui escrevendo toda essa merda pra vocês, não parece haver muita glória nisso, mas, de fato não há mais glória neste mundo.
Vocês deviam ver como as pessoas mudam nessas situações, elas se revelam quando pisam no campo de batalha, quando são obrigadas a escolher entre salvar a própria vida ou a vida de seu companheiro, aí vemos seu real valor, vemos quem é amigo ou inimigo. Já me acostumei com o sangue derramado, também tive que me acostumar a derramá-lo, atirar a queima roupa e em criaturas desprevenidas têm se tornado rotina pra mim nesse último mês, e por Deus, queira você nunca precisar fazer isso.
Para que você saiba um pouco sobre o que está acontecendo vou redigir nesta carta, e espero que você possa nos ajudar da forma que puder, pois estamos sozinhos nessa.
Somos um batalhão separado do exército brasileiro, treinados única e exclusivamente para caçar e eliminar as criaturas que vieram, todos desconfiam que as bruxas que voltaram estão no controle, e que seria preciso somente matá-las para que todo este inferno acabasse, pelas ruínas de minha cidade encontrei alguns que disseram ser o fim dos tempos, o juízo final onde as portas do inferno se abririam e todos os demônios caminhariam pela terra, eu não duvido que esta possa ser a verdade, e se for, que seja eu arrebatado para não sofrer mais, mas não sei se você se preocupa realmente com isso.
Estamos a um mês confinados numa espécie de presídio de segurança máxima, saímos pouco daqui por que lá fora é perigoso, mas já tivemos êxito em duas caçadas, o primeiro fora uma espécie de homem descarnado com garras no lugar das unhas, o segundo era como um demônio de chifres curtos, rápido como um leopardo, e sim, eu ajudei a capturá-los, desde que estou aqui meus sentidos foram obrigados a se desenvolver, ás vezes acho que estou louco por que aos poucos eu perco o senso, algumas vezes me peguei em completa fúria do "lado de fora", correndo e atirando em cada filho do inferno a minha frente, e é isso o que essas situações fazem com as pessoas, tira parte de sua sanidade, mas isso é justo comigo? Foi realmente justo? Ser jogado aos dezesseis anos no campo de batalha em meio a soldados de verdade? Ter de caminhar por mortos e carregar seus túmulos, ter de enterrar corpos e atirar em alguém, não era o futuro que eu tinha para mim, isso não estava nos meus planos.
Mas o perigo estava em nossa porta, eu entendo, houve uma onda de rituais envolvendo sacrifícios humanos, a polícia começou a investigar mas nunca chegaram na conclusão da missão, então tínhamos que surpreendê-los de alguma forma, assim o exército foi mandado para São Paulo, onde o foco de sacrifícios e criaturas começou a surgir, e como éramos poucos os alistados, e muitos os ineficazes, qualquer garoto de dezesseis anos, que não fosse o único homem da família teria de ser incluso ao exército. Assim eu vim parar aqui, mas não vou mais ficar me lamentando, aliás à muito eu não o fazia, mas melhor ter minha vida arriscada na guerra para salvar a pátria, do que a do meu querido pai, que já está muito velho e doente, ou do meu querido irmão, por nada nesse mundo desejaria que eles tivessem vindo em meu lugar, e sei que se orgulharão da minha morte nestes campos.

O céu está escuro de fumaça lá fora, geralmente há redemoinhos de fogo que se misturam nas nuvens e cospem chamas na Terra, tudo parece ter sido dominado pelas bruxas e suas crias, eu já vi um destes redemoinhos uma vez, e por Deus, espero ter sido a última.

Thomas continua gritando, e os soldados ainda fazem suas malas para o próximo ataque, nós vamos para o sul, onde há uma concentração de comida em reserva. Vamos atacar, matar e pilhar o que encontrarmos, Deus tenha misericórdia de nós e proteja nossas almas contra o mal, mas sairemos para matar.

Este é apenas um breve relato do que aconteceu desde que chegamos aqui, a guerra está apenas no começo e creio que muito sangue ainda vai ser derramado, acho que verei muitos amigos morrerem e muitos nos matarem com um punhal nas costas, por que irão preferir se juntarem ao lado que parece mais forte, mas eu entendo por que isto é o inferno, isto é guerrear e como já disse não vou ficar me lamentando. Eu sou Willian Guerra, escrevendo do presídio de segurança de São Paulo para dizer que, Eu te amo, e ainda tenho esperança.
Reações:

2 comentários:

  1. Gostei! Final muito bom!!!!!!passarei aqui sempre!


    bjos

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  2. Obrigada Ana Paula! Venha sim que haverão novos posts. UMBEIJO

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