segunda-feira, 22 de julho de 2013

Primeiro eu preciso falar sobre esta capa maravilhosa: metalizado fosco azul, com fundo bem escuro dando a impressão de noite, com um corvo saindo das sombras de uma floresta. É uma capa linda e condiz com uma profecia que a história traz. No site da autora é possível ver todas as capas dos livros lançados, e os desenhados aqui no Brasil são os mais lindos. É só clicar aqui e conferir: 
http://www.julietmarillier.com/books/daughteroftheforest.html


Filho das Sombras é continuação de Filha da Floresta. Ou seja, tem que ler o primeiro para entender este. O primeiro capítulo dá um olhar geral sobre o primeiro livro, para nos lembrar o que aconteceu com Sorcha e turma.

Por mais que o título nos remeta a um personagem principal masculino, a obra fala sobre Liadan, filha de Sorcha (protagonista de Filha da Floresta).  A história se passa no crepúsculo celta da velha Irlanda. O domínio de Sevenwaters está ameaçado pelos bretões, que se preparam para guerrear e tomar as terras, visto que estes já tomaram as Ilhas Sagradas. Segundo a profecia, haverá uma criança que finalmente conseguirá a paz entre o povo de Sevenwaters e os Bretões de Northwoods e reconquistará as Ilhas das cavernas místicas e das árvores sagradas. Esta criança levará a marca do corvo e não será nem da Bretanha e nem de Erin (Sevenwaters é um cantinho de Erin).

Sorcha tem três filhos: Liadan (nossa protagonista) que, de início, é conformada com sua vida de curandeira do povoado, e pensa que casamento entre clãs, é a melhor saída para Sevenwaters (lembrando que esta visão era a comum durante a Idade Média). Sean, irmão gêmeo de Liadan, herdeiro de Sevenwaters, rapaz forte e inteligente. Os dois conseguem se comunicar mentalmente, o que é uma mão na roda em muitos momentos de apuros. E Niamh, mais velha que os dois, possui espírito livre e não quer se prender à estas convenções sociais que Liadan pensa ser normal. Ela quer abraçar o mundo e vive em seu mundo próprio. Mas acontece algo com Niamh que faz com que todos percam a confiança nela. Ela é obrigada a se casar com um senhor de terras aliado aos Sevenwaters, que faz dela um ser totalmente diferente.

Quando ocorre um ataque às terras de Sevenwaters, e ninguém sabe de onde vem ou quem o faz, há pânico geral entre os clãs aliados. Então, descobrem que nesta guerra, há um mercenário temido, chamado de Homem Pintado. Ele tem a metade esquerda do rosto normal (e linda) e metade direita toda tatuada, inclusive o couro cabeludo, assim como o braço direito. Uma verdadeira obra de arte. E em uma viagem, Liadan acaba sendo capturada pelo clã deste homem misterioso e atraente.

Tentei manter o semblante calmo, mas por dentro estava morrendo de medo. Justo eu, a menina que só queria ficar em casa cuidando de seu jardim de ervas. [...] Eu, a filha de Sevenwaters, sozinha no covil do Homem Pintado e de seu bando de assassinos cruéis. p. 119

Mas este Homem Pintado é mercenário por uma razão de seu terrível passado. E Liadan é a pessoa mais certa para tentar entendê-lo. Além disso, ele culpa o pai de nossa mocinha pelo que lhe aconteceu. Claro que não vou dar nenhuma dica sobre seu problema do passado, é só para deixar vocês com vontade.

Chego a dizer que é a partir daí que o livro ganha aquela ação tão boa que fica difícil de largar a obra. São 605 páginas de história, mas a partir da 106 que as coisas ficam lindas e cheias de energia.

Nossa protagonista ouve os Seres da Floresta, assim como sua mãe. Mas, ao contrário de Sorcha, ela é independente e não dá ouvidos ao que eles falam se, por acaso, ela considerar errado, ou que não a faz feliz. Ela é forte e, principalmente, corajosa. Além disso, ela ouve não somente estes Seres da Floresta, mas outros mais antigos ainda, que dão ordens que contradizem os primeiros. Liadan fica perdida.

Preferia não ser a escolhida. Os Seres da Floresta eram sorrateiros e agiam de maneira imprevisível. Seus jogos eram complicados, e suas escolhas, nem sempre óbvias. p. 25

Não há um período preciso para os acontecimentos da série, mas podemos pensar no final da Baixa Idade Média, visto que aqui nesta obra, já há sinais de perseguições aos pagãos, remetendo a história ao século XIV.

Outro personagem muito importante em todo o livro é Eamonnm, um jovem muito bonito, senhor de terras, muito educado. Ele quer a mão de Liadam e, a princípio, é fácil se apaixonar por ele, mas as pessoas mudam ao longo da história...

O que mais gosto nesta saga é que fala sobre a mitologia celta irlandesa, que é pouco discutida/apresentada em meio à literatura. Então é claro que já me ganhou por aí. Enquanto a autora conta as aventuras de Liadan, introduz mitos da velha Irlanda, de maneira muito rica. Além de deixar claro que pode haver variações nos mitos, dependendo do público que era contado – o que nos deixa certos de uma coisa: nunca chegaremos ao mito original, o que é uma pena. Como a maioria das histórias mitológicas, no passado, eram repassados oralmente, poucas coisas foram escritas, e durante a inquisição diminuiu drasticamente estes documentos. Possivelmente as histórias apresentadas pela autora foram repassadas pela própria família.

A diagramação é muito bem feita, com detalhes em cada primeira página de capítulo.
Problema: alguns erros de revisão. Palavras com letras trocadas, letras faltando. Não chega a estragar a leitura, mas incomoda um bocado.
Reações:

4 comentários:

  1. Oi Cameee!!!
    Adorei a resenha, infelizmente ainda não li Filha da floresta, mas pretendo comprar a série, me parece uma leitura rica e envolvente, também adoro mitologia. As capas são lindas.
    Gêmeos com poder de telepatia. *-* Que super. Essa questão de unir clãs realmente era muito usada e que sorte não acontecer mais.
    Amei a dica. =)

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  2. uau ponto para a capa apaixonante! *-*
    bom.. como não li o primeiro não posso dizer muito, mas eu gostei bastanet da resenha parece ser muito bom mesmo :D
    Não conhecia a obra ;]


    Beijos
    http://tamigarotaindecisa.blogspot.com.br

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  3. Olá,
    Acabei hoje de ler Filha da Floresta, gostei da história em si, foi algo novo, é um belo conto. Triste na essência, não nos deixa uma sensação de paz ao final, o que pode ser bom ou ruim. Gosto do fato de ter um começo e um fim, mesmo se tratando de uma trilogia e acho interessante o fato da personagem ter mudado pouco sua integridade, manteve-se fiel à tudo que sempre acreditou, mas aprendeu as diferenças que antes não compreendia.
    Não gosto do que acontece com um dos irmãos dela, era o que eu mais sentia empatia, e ver a personagem se desfazer assim foi bem trágico.
    Provavelmente eu irei ler o Filho das Sombras, mas prefiro esperar mais um pouco e absolver mais o que se passou, mas acho isso bom, essa opção de escolher deixar sevenwaters para trás, sem perder o sentido da história. E tenho uma suspeita, vou escrever sem dar spoiler nenhum, acho que ao final da trilogia nem tudo está fora de nosso livre-abitrio.

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  4. Olá,
    Acabei hoje de ler Filha da Floresta, gostei da história em si, foi algo novo, é um belo conto. Triste na essência, não nos deixa uma sensação de paz ao final, o que pode ser bom ou ruim. Gosto do fato de ter um começo e um fim, mesmo se tratando de uma trilogia e acho interessante o fato da personagem ter mudado pouco sua integridade, manteve-se fiel à tudo que sempre acreditou, mas aprendeu as diferenças que antes não compreendia.
    Não gosto do que acontece com um dos irmãos dela, era o que eu mais sentia empatia, e ver a personagem se desfazer assim foi bem trágico.
    Provavelmente eu irei ler o Filho das Sombras, mas prefiro esperar mais um pouco e absolver mais o que se passou, mas acho isso bom, essa opção de escolher deixar sevenwaters para trás, sem perder o sentido da história. E tenho uma suspeita, vou escrever sem dar spoiler nenhum, acho que ao final da trilogia nem tudo está fora de nosso livre-abitrio.

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