segunda-feira, 14 de abril de 2014

Coluna nova neste novo ciclo do blog. Como historiadora que sou, não consigo deixar de trazer para vocês alguns elementos da História. Neste caso, os elementos em questão retratam a nossa mitologia.
Como vocês devem saber/suspeitar, as lendas do nosso país são, essencialmente, indígenas. E deixa eu contar que a nossa mitologia (pouco explorada, infelizmente) é tão rica quanto a nórdica, grega, hindu, egípcia... Enfim, nós temos muito que aprender com nossas lendas.
O livro que me inspirou a iniciar esta coluna chama-se “As 100 Melhores Lendas do Folclore Brasileiro”, um compilado com os melhores mitos reunidos pelo autor A.S. Franchini, um gaúcho que já escreveu muitos livros ligados à mitologia.
Vale lembrar que as lendas e mitos não tem que fazer um sentido lógico para nossas mentes contemporâneas. Na antiguidade, estas lendas justificavam ações e fenômenos. Então, assim como aceitamos o mitos de Thor (nórdico), Zeus (grega) e Osíris (egípcia) entre tantos outros, devemos aceitar e respeitar a nossa mitologia também.
A proposta da coluna é trazer algumas lendas brasileiras de forma resumida. Então, sem mais demora, vamos ao que interessa:


Os Filhos do Trovão (A Saga dos Tárias pt. 1)


O mito sobre a origem dos filhos do Trovão (Tárias) é pouco conhecido entre nós, porém, é um das mais interessantes. Os tárias eram uma tribo do rio Uapés, no Amazonas.

Conta-se que, há muito tempo, o Trovão estrondou no Céu tão fortemente que este rachou e gotejou sangue. Este sangue caiu em cima do próprio Trovão e ali secou. Novo estrondo de Trovão, e o sangue seco virou carne. Quando houve o terceiro estrondo no céu, a carne desprendeu de seu corpo e caiu sobre a Terra, despedaçando em milhares de pedaços, que formaram os homens e mulheres.

Assustados por natureza, assim que anoiteceu os filhos do Trovão esconderam-se em uma gruta, pois imaginaram que após o Sol desaparecer, nunca mais tornaria a aparecer. Quando o sol reapareceu pela manhã os filhos do Trovão alegraram-se. Quando sentiram fome, saíram da gruta e observaram os pássaros comendo os frutos e resolveram os imitar. E assim faziam todos os dias, até que em uma manhã, enquanto estavam no alto de alguma árvore saciando sua fome, avistaram dois cervos (macho e fêmea), que se alimentavam dos frutos que caíam. Pouco tempo depois, um dos cervos montou no outro.

Os tárias ficaram curiosos sobre o que estava acontecendo, já que ignoravam as coisas do mundo. Durante a noite, quando voltaram para a gruta (e ninguém esquecia o que tinha visto naquele dia), a Mãe do Sono, uma das mães divinas indígenas, visitou a gruta para contar-lhes quem eram. Após, transformou-os em cervos, que logo correram para debaixo da árvore a fim de imitar o que tinham visto. Quando o dia amanheceu, os pares estavam abraçados, uma mulher para cada homem.

E foi assim que os filhos do Trovão iniciaram a sua descendência.
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