sexta-feira, 2 de agosto de 2013

 Olá, leitores e leitoras!
Existe um ditado que diz: “Filho de peixe, peixinho é”. Baseado nisso, podemos concluir que muitos filhos seguem a mesma carreira do pai, alguns obtêm mais sucesso outros menos, no entanto, não é isso o que importa. Neste caso, finalmente tive coragem de tirar o livro O Pacto da prateleira e ler, o autor talvez ainda seja pouco conhecido, seu pseudônimo é Joe Hill e seu nome é Joe Hillstrom King. Ele não é ninguém menos que filho de um dos maiores escritores de todos os tempos: Stephen King, o mestre do terror e suspense.
Particularmente, achei uma ótima ideia Joe Hill não ter usado o sobrenome do pai e querer caminhar com suas próprias pernas. Contudo, é inegável o dom que Hill possui para a escrita, O Pacto, lançado originalmente em 2010 e publicado neste mesmo ano no Brasil pela editora Sextante, é uma das obras mais reflexivas que li nos últimos meses.
O protagonista, Ignatius Perrish – ou simplesmente Ig –, possuía uma família unida e feliz, além de ter encontrado o grande amor de sua vida, ainda na adolescência, Merrin Williams. Contudo, no último sua vida mudara completamente de direção, após o brutal assassinato de Merrin, no qual ele era o principal suspeito, apesar de não haver provas que o incriminassem, não havia nenhuma que o inocentasse.  
A narrativa inicia-se em meio a esse inferno pessoal, quando Ig ao acordar, após uma noite de insana bebedeira, percebe que um par de chifres nasceu em suas têmporas. Ao contrário do que julgou primariamente, as pessoas não reagem com espanto ao vê-lo, elas são impelidas a revelar seus maiores e mais secretos pecados. Assustado ele descobre os horríveis segredos de todos a sua volta nem mesmo o padre e seus pais estão livres de seu poder. E todos eles o odeiam. O golpe mais doloroso vem quando ele descobre que seu irmão, tão próximo e querido, sempre soube quem era o verdadeiro assassino de Merrin e nunca lhe contou nada. Até ver os chifres. Ig parte em uma busca desenfreada pela verdade, cada vez mais dolorosa e solitária.


Quando as pessoas que você ama lhe viram as costas e sua vida se torna um inferno, ser o diabo não é tão mau assim.


Imagine as pessoas que tanto amamos nos virarem as costas e por trás de sorrisos falsos e mentiras secas, nutrirem sentimentos assombrosos sobre nós. A obra transita entre amor e desgraça numa escala babilônica, suas metáforas enriquecem cada vez mais a leitura e acabam por torna-la irresistível. A cada página lida e a cada mistério solucionado, o leitor irá se sentir impelido a não abandonar o livro. Hill escreve sobre o diabo, mas expressa muito mais os demônios que – nós humanos – podemos conter em nossos interiores.
Amor, traição, vingança, dor, tragédia e felicidade, são explorados com ardor pelo autor. Joe Hill emociona e faz rolar lágrimas em diversos trechos deste livro, transmitindo mensagens importantíssimas como perdão, amizade, confiança, entre outras. Sua narrativa excelentemente bem construída nos faz refletir sobre a maldade e os atos impensados, impulsivos, além de deixar algumas questões retumbando em nossas mentes: Seria o homem o seu próprio diabo? Ou Seria o homem pior que o diabo?
Hill utiliza-se de uma narrativa não linear, ora narra o presente, ora o passado, fato essencial para a construção de cada um dos personagens, ele os transporta desde o primeiro contato até, bem, o último, em alguns casos. O escritor consegue com grande êxito explicitar os sentimentos de Ig, sua dor, seus pensamentos, suas atitudes mal pensadas. Aqui, nós simpatizamos com o pobre diabo. Obviamente, pelo tema, ele menciona e questiona em muitos trechos a fé e religiosidade, talvez, esta não seja a obra ideal para quem não tem uma mente aberta e sempre disposta a ler outros pensamentos ou para quem tem uma fé abalada e possua medo de algo destruí-la.
 Ou, talvez, seja ideal para estas pessoas. O fato é que o livro não se prende a este tema, ele se importa mais com a humanidade que com as crenças de cada um.
Joe Hill surge como um dos mais brilhantes escritores de ficção fantástica, não é para menos, afinal, O Pacto é uma história sobre a profundidade negra de nosso interior humano, nossos pensamentos nefastos e atitudes grotescas. Recomendo este livro com a mesma intensidade que recomendo Sangue Quente. São duas histórias altamente fantasiosas, mas que, através da ficção, transmitem valores e agregam pensamentos que merecem ser levados adiante.
Leia O Pacto.
E prepare-se, uma adaptação cinematográfica foi confirmada e o protagonista será "apenas" o astro de Harry Potter, Daniel Radcliffe.


  
Reações:

6 comentários:

  1. Esse foi o segundo livro do Joe Hill que eu li, o primeiro foi A estrada da noite e concordo com você ele escreve super bem e além disso sabe criar tramas intrigantes, eu comecei a ler O pacto e passei o livro todo me perguntando onde aquela história tão estranha iria nos levar e apesar de não ter gostado muito do final, eu achei um pouco anticlímax, as idas e vindas da história mostram como um cara absolutamente bom e ingênuo se transformou completamente.

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  2. Oi Hugo, tudo bom?
    Estou há tempos para comprar esse livro, porque amo o King, e a máxima de "filho de peixe..." na escrita, parece ser sempre forte... Uma história que me chama bastante atenção, e, depois que soube da adaptação com o Dan (e vi algumas imagens de divulgação) me interessei mais ainda. Quero poder lê-lo ante da estréia do filme.
    Gosto muito de livros, que apesar da ficção, da fantasia, do terror, etc, tem algo a nos passar, algo a nos ensinar...
    Excelente resenha
    Beijão
    Endless Poem

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  3. Oie

    Eu já Li Stephen King, mas confesso que não é um dos meus preferidinhos, acho que vou "me dar" uma chance com o Joe Hill. Gostei de toda essa historia, de amor e vingança, tragédia e felicidade, e de refletir se seria o homem o seu próprio demonio! Talvez eu espere o filme tbem, rsrs se gostar fico mais ansiosa para ler o livro dai....

    bjos

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  4. Nossa! Nem sabia que o autor era filho do Stephen King! Já li muitas resenhas boas, assim com a sua, sobre O Pacto, mas ainda não li o livro. Gosto dessa ideia da alternância entre passado e presente, deve ter uma narrativa muito interessante.

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  5. Ainda não tinha lido nenhum resenha sobre o livro e... Ual, preciso ler! Deve ser muito interessante o fato de ser narrado no presente e no passado. Que bom que já vai ser adaptado para o cinema, e com o Daniel Radcliffe ainda. Nossa!!

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  6. Bom, eu sabia do parentesco do rapaz, mas confesso que para mim é indiferente pois nada li do SK. Confesso que pelo título esperei algo mais assustador, parece que não é um bicho de 7 cabeças como eu imaginei inicialmente.
    Gosto de livros que tratam de valores, é algo necessário ultimamente.
    Sobre o filme, eu vi uma foto do Daniel caracterizado, mas não fazia ideia de que era relacionado a este livro, adorei a informação.

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