terça-feira, 21 de maio de 2013

“- E quanto a você? – perguntou minha mãe. – Está sempre cercada de homens; é uma perfeita dama.
- Ser dama não tem nada a ver com isso. Fui criada para ser uma dama. Depois que George morreu, todos esses tolos apareceram em busca de alguém que lavasse suas meias. Sou uma dama, mas também um acessório masculino, a sua maleta, não, muito obrigada. Não vou ser adereço de ninguém. Não vou ser meu amor, meu bem, minha querida de ninguém.” p.  182
 
Livro recebido em parceria com a editora Novo Conceito
Vi algumas resenhas negativas sobre este livro, mas vou dizendo para vocês que a obra me chamou atenção para um bom sentido. Quem sabe eu tenha olhado por outro viés, diferente de minhas amigas blogueiras...
Bem, a história do livro entrelaça diversos eventos. Vamos à exposição de alguns:

O núcleo principal conta com a história de Ruby McQueen, 16 anos, que em razão de alguns eventos ocorridos no passado, acaba se fechando em seu mundo particular, sendo apelidada no colégio como “Garota Calada”; e Travis Becker, lindo, garoto-problema, rico, inconsequente. Eles se apaixonam de imediato, levados pelos hormônios adolescentes.
Vamos obervar o primeiro núcleo: Algumas resenhas que li apontam que o romance dos dois foi forçado e difícil de engolir. Pois bem, eu acredito que, ao observarmos a idade dos dois, podemos entender o furacão de sentimentos que há, afinal são adolescentes, e todos sabem que as paixões adolescentes costumam ser rápidas, intensas e sem limites. No momento em que os jovens em questão têm a sensação de fazer algo perigoso, e até mesmo proibido, aí sim é que ficam instigados. Neste caso, Ruby é uma garota quieta, que procura algo ou alguém para balançar sua vida. E encontrou-se em Travis.

Há também o núcleo secundário: o clube de leitura semanal que conta com a participação de senhores e senhoras da terceira idade, mediado pela mãe de Ruby, Ann. E é no meio destas leituras que encontram um livro interessantíssimo que fala de uma história real de amor. Tudo muda quando eles descobrem que convivem com a protagonista deste livro, e então planejam uma viagem para realizar o encontro do escritor do livro e a protagonista, uma verdadeira história de amor. Para isso, passarão por muitas aventuras, discussões, brigas e diversões. Quando Ann vê que a filha está em maus lençóis, por causa de Travis, a arrasta para o clube de leitura, e é até entendível que ambas entrem em conflito imediato.


Todos estes senhores têm uma carga emocional enorme, o que consegue fazer com que Ruby entenda coisas que sua mãe quer dizer, mas que não dá o braço a torcer. E é aí que o livro acerta: Dá lições de vida (não de moral) através das histórias de vida destes senhores idosos.

Válido lembrar que a superação não se dá apenas para Ruby, mas também para sua mãe, Ann, que traz traumas e fantasmas do passado. A autora mostra como os idosos podem ter vida sexual, ser divertidos, engraçados, emburrados, valentes, fugindo daquele estereotipo de que são todos ranzinzas e não podem fazer nada sozinhos e/ou por eles mesmos. E que podem demonstrar o que é o amor real, não inventado, não idealizado e desenhado na sua própria mente. O que é amar e ser amado. Eles deixam isso claro ao dizer que a mente gosta de agarrar as coisas, e que ficamos tão acostumados que fica difícil de soltar. Ensinam, ainda, que a bondade é o maior tiro em um coração culpado.

O livro conta com uma ótima estruturação de personagens e eventos tão possíveis de se encontrar em nosso cotidiano, que faz dele uma ótima leitura. Além disso, há passagens engraçadas desde o início, o que deixa a narrativa um tanto leve.

Este livro acaba sendo mais do que um livro, assim como a viagem de Ruby acaba sendo mais do que uma viagem. Se recomendo? É claro que sim!

Citações:
“Eu colocara uns miniabsorventes debaixo dos braços para disfarçar o suor durante o exame de Ciências, e um deles caiu, enquanto eu andava até a prancha de papéis. [...] Por fim, tive de virar a página da prancha e então o miniabsorvente escorregou como um tobogã íngreme, caindo no chão de modo vitorioso e higienicamente branco. Todo mundo riu.”

Sobre o cachorro de Ruby, Poe:
“No inverno passado, ele foi beber água do seu potinho, mas, como tinha congelado, ele ficou com a língua colada lá. Acho que ele acha que o nome dele é ‘Seu Cachorro Burro’, porque minha mãe vive o chamando dessa forma. Provavelmente ele pensa que em alemão significa ‘Cachorro Muito Inteligente’”.

“Lembre-se disto. – Peach balançou o dedo na minha cara. – Se uma pessoa velha é dócil, provavelmente ela sempre foi dócil. Se ela é sábia, provavelmente sempre foi inteligente. Ninguém muda tanto.”
“Por que o que é o amor senão o mar? Você pode brincar com ele ou se afogar nele.” 

Avaliação: 5/5 
Reações:

4 comentários:

  1. Aiii adorei a resenha (lembrei do twitter, mas calma que vou comentar mais, não seria hipócrita)
    Eu amei essa capa, pq o colorido, a imagem em si dá uma sensação de diversão e liberdade, ao menos sinto isso ao olhar.
    Quanto à resenha: ficou ótima, gosto quando o livro dá várias sensações, não esperava por idosos na trama, e nem sei de onde tiram que eles não fazem nada. hahaha Só fiquei triste pq lembrei dos meus avôs, ele jogando dominó, correndo com a gente. E toda tarde trazendo confeitos de mel para nós.
    Entendo até melhor essa paixão instantânea quando os personagens são adolescentes do que quando adultos. Fica mais crível dessa forma.
    Travis só me fez pensar em Belo desastre. E no fim das contas será que isso dá certo?
    Me resta aguardar e ler, quando for possível.
    Bj.

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    1. Danii, que bom que gostou. O livro é demais e leia mesmo, rápidoo!

      Travis lembra o Travis de Belo Desastre, mas este é um pouco pior kkk

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  2. Oi Came!!!

    Eu ganhei este livro, mas nem comecei a ler ainda, eu tinha gostado da sinopse, mas estava meio descofiada tbem pelas resenhas que não eram mesmo, muito favoraveis....
    mas vc (linda) me confortou! e agora estou bem mais decidida a ler logo!
    Concordo qdo vc falou sobre a aixão adoslecentes, mesmo as vezes achando meio forçado tbem, mas acaba sendo isso que acontece mesmo. E to numa fase que to precisando de livros que dão lição de vida!!!! e se tem situações do cotidiano de qualquer pessoa, fica uma leitura muito mais gostosa, mais realista (to precisada mesmo!)

    depois que eu ler te conto oque achei!

    bjao

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    1. Ana do céu, eu vi muita gente falando mal deste livro. Mas eu amei e acho que depende do olhar que você dá para a leitura...
      Espero que goste :D

      bjoo

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