quinta-feira, 21 de março de 2013



Este livro me foi muito bem recomendado há 3 anos, pela querida professora de História Antiga, Claídes. Quando ela, em sala, comentou sobre a obra, logo me interessei e acabei lendo em formato digital. No início deste ano comprei um exemplar e o reli, e devo dizer que uma segunda leitura, em um momento diferente, fez toda a diferença. Acabei olhando a obra com outros olhos, com sentimentos diversos. Então deixa dizer o que eu penso sobre esta obra:


Ex-radialista da China, Xinran fazia o programa “Palavras na Brisa Noturna” entre 1989 e 1997, onde recebia cartas com relatos tristes de mulheres chinesas, que tiveram suas alegrias e esperanças arrancadas de alguma forma. Xinran só pode publicar suas histórias após sair da China, já que a política nacionalista não permitiria que seus textos fossem liberados ao público. Então, somente após mudar-se para a Inglaterra, pôde fazê-lo. A cada novo capítulo, uma nova história triste e real.
A obra traz o cotidiano das mulheres chinesas em uma China pós-Revolução Cultural, além de histórias passadas durante a Revolução. O livro é escrito em primeira pessoa, a partir do ponto de vista da autora Xinran, de acordo com o que ela via e ouvia nas entrevistas. Ao mesmo tempo, a história da própria Xinran é contada, mostrando seus dramas dentro de uma sociedade paternal, machista e ditatorial.

Tragédias, sofrimentos, abusos, traições. De mulheres milionárias a mendigas, todas passaram por dores imensas e trouxeram um aprendizado. Mas, engana-se quem pensa que as histórias são, apenas, sobre relacionamentos conjugais. Os relatos trazem, em sua maioria, relações parentais desestruturadas.
Como já foi citado, a cada novo capítulo uma nova história é contada. Assim, posso dizer que duas histórias mexeram comigo, especialmente, como a da menina abusada pelo pai que encontra conforto no carinho do toque de uma mosca. Ou na história da mãe que acompanha a morte dolorosa e lenta de sua única filha após um terremoto.

É impossível não se emocionar, não sofrer. Afinal, são histórias reais e que, segundo a autora, são retratadas fielmente como foram contadas/observadas. A princípio é notável que Xinran é ingênua, e mostra como cresce ao longo dos anos e entrevistas feitas.
Ao final do livro, o próprio leitor passa a enxergar com outros olhos algumas questões sociais. Porém, engana-se quem pensa que se trata de um livro feminino, apenas porque fala sobre as mulheres. Afirmo que todos deveriam lê-lo e garanto que vai ficar marcado para sempre na memória de quem o fizer. Mas já aviso que a leitura é intensa, sendo que às vezes fica difícil de engolir aquele nó que se forma na garganta.

Mais do que recomendado!
Reações:

2 comentários:

  1. Olá,

    Tenho uma tag para você no blog:

    http://livrosechocolatequente.blogspot.com.br/2013/03/tag-premio-dardos.html

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  2. Oi Came!!!!!

    Nossa que angustiante que deve ser este livro!
    Não estou acostumada a ler livros assim, mas acho que esse merece uma atenção especial por ser tão verdadeiro e realista, não é mesmo?
    Já tinha visto ele em uma livraria, e não tinha me interessado, depois da resenha, vou procurar para ler sim!

    Parabéns por suas leituras! são sempre inspiradoras!!!

    bjosss

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